terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Parusia e fim dos tempos...

A palavra parusia significava a vinda do rei, por ocasião de uma visista de determinada região, que incluía geralmente o acerto de contas com os seu súditos.

O mesmo termo foi usado para a segunda vinda de Jesus. Jesus, o Senhor, pode visitar os seus sem que seja ainda o fim dos tempos e manifestar-se de formas diferentes daquelas a que estamos acostumados. No Antigo Testamento reconhecemos vários fatos que foram interpretados religiosamente como visitas de Yahweh destinadas a converter ou purificar os homens do mal e reconduzi-los ao plano de salvação:
- destruição de Sodoma e Gomorra;
- destruição de Jerusalém e exílio babilônico;
- destruição de Jerusalém e dispersão dos judeus no ano 70.
Estas parusias foram anunciadas para que as pessoas se preparassem, respectivamente, por Abraão, pelo profeta Jeremias e por Jesus. Houve grande destruição para eliminar o mal, para purificar e preservar um pequeno resto destinado a dar continuidade ao plano de salvação. Para os maus a vinda do Senhor é castigo, pois ele vem para ajustar as contas; para os bons, para os filhos de Deus, verdadeiro motivo de alegria, porque ele vem para purificar do mal.
A grande parusia será o fim dos tempos, quando Jesus virá para consumar sua obra de salvação. Será o acerto de contas final com a humanidade, resgatada com o preço do seu sangue.
31. Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. 32. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34. Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, (Mt 25,31-34). (Roque Brugnara)
Imagem: parusiavr.blogspot.com/.../parusia-o-que-e.html

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Promessas de ressurreição...

A ressurreição é a grande notícia do Cristianismo diante das demais religiões que existiam no mundo. Não é volta à mesma vida ou reavivamento, mas transformação. Conhecemos o que é ressurreição a partir de Jesus Cristo, que ressuscitou e anunciou a ressurreição como sendo vontade do Pai (Jo 6,40).

Pelas características que Jesus apresentou após a ressurreição, temos noção do que seja essa transformação. Jesus tinha corpo real: foi tocado, (Jo 20,24-29) comeu e bebeu com os Apóstolos (Lc 24,42-43; At 10,40-41). Por outro lado, seu corpo não conhecia barreiras físicas, podia aparecer e desaparecer, entrar ou sair estando portas e janelas fechadas (Lc 24,13-36).

A maior instrução sobre a ressurreição nos é dada pelo Apóstolo Paulo:

Mas, dirá alguém, como ressuscitam os mortos? Com que corpo voltam? Insensato! O que semeias não readquire vida a não ser que morra. E o que semeias não é o corpo da futura planta, mas um simples grão de trigo ou de qualquer outra espécie. A seguir, Deus dá o corpo que quer, a cada uma das sementes ele dá o corpo que lhe é próprio.

O mesmo se dá com a ressurreição dos mortos; semeado corpo corruptível, o corpo ressuscita incorruptível; semeado desprezível, ressuscita reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado corpo psíquico, ressuscita corpo espiritual.

Digo-vos, irmãos: a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorruptibilidade. Eis que vos dou a conhecer um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final; sim, a trombeta tocará, e os mortos ressurgirão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Com efeito, é necessário que este ser corruptível revista a incorruptibilidade e que este ser mortal revista a imortalidade (1Cor 15,35-38.42-44.50-53).
 (Roque Brugnara)
A Páscoa de Cristo é a nossa ressurreição!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Novíssimos... Céu, purgatório e inferno

Céu

A Bíblia não dá definições, nem de céu nem de inferno. Fala, de forma figurada, do céu como banquete de núpcias (Lc 14,15). As núpcias não celebram apenas um ato de simpatia sexual, mas a mútua entrega no amor. O banquete representa a comunhão entre os homens na amizade, na alegria e no gozo de viver.



Na condição terrena, o homem não pode ver Deus (Ex 33,18-23). Só podemos, pela fé, ver os sinais de sua presença e ação. No céu o veremos face a face e, então, poderemos conhecê-lo, senti-lo e amá-lo em profundidade.

Céu não é lugar, mas estado de vida em completa realização (1Cor 2,9). É a realidade transterrestre, constituída pela presença de Deus, na qual o ser humano conhecerá o mistério de Deus. É a situação daqueles que se encontram no amor de Deus, fato que possibilita a realização de todo o anseio de felicidade. Céu é o estado de vida em que se manifesta, com toda a força, a expressão benditos do meu Pai (Mt 25,34).
Portanto a atitude de amar a Deus, como resposta livre à proposta de amor feita por ele, conduz o homem ao auge da felicidade e realização.
Inferno

Muitas pessoas são levadas a pensar que o inferno não existe, ou que, se Deus é bom, não pode condenar ninguém. Não há dúvida de que Deus infinitamente bom, que ele nos ama com amor eterno. Mas também é verdade que é infinitamente justo. Jesus é muito claro ao afirmar que a recompensa é eterna assim como o castigo é eterno e que não há possibilidade alguma de retornar (Lc 16,19-31). A Bíblia fala do inferno como situação de sofrimento, como fogo inextinguível (Mc 9,43-48), como trevas (Mt 22,13), como perdição e condenação eterna (Mt 7,13).



O homem pode ter vivido de tal forma que sua existência significa fundamentalmente egoísmo e desamor. A visão perfeita da oportunidade irrecuperavelmente perdida é a pior das torturas, porque o sofrimento do espírito é mais doloroso do que o sofrimento físico. É a frustração total do ser humano, porquanto, criado por Deus e para Deus, não mereceu estar na sua presença. Esse estado de frustração e sofrimento constitui o inferno.

Purgatório (purificação)

Cada pessoa deve atingir a plenitude humana e divina no amor, isto é, deve amadurecer e fazer de si imagem igual o protótipo de todo homem, Jesus Cristo (Ef 4,13-16).
Purgatório é a possibilidade que Deus concede à alma humana de madurar completamente. É processo doloroso no qual a alma se purifica de toda a alienação pecaminosa. É graça e não castigo. Mesmo que haja sofrimento para a purificação, há alegria por sentir-se salvo e destinado à eternidade feliz.
Não há nenhuma passagem bíblica que fale diretamente do purgatório. É conclusão teológica, a partir de alguns textos. Deve haver processo de crescimento na vida cristã (Fil 3,12-16) pelo qual se atinge o estado de homem perfeito (Ef 4,13). Os fiéis menos fervorosos também se poderão salvar (1Cor 3,11-15).
Purgatório não é lugar, mas purificação. O confronto com Deus deixa a alma transparente: todo o mal acumulado e todo o egoísmo se tornam manifestos. O homem deve abrir-se totalmente para arrancar de si todo o mal, entregar-se totalmente, romper todas as seguranças pessoais e abandonar-se em Deus.
Vista assim, a morte é o dom total do Pai, como Cristo fez: pode parecer doloroso, mas é a salvação.
Neste momento há a luta com o próprio egoísmo e com as forças que ele construiu durante a vida. Purgatório é este processo de abertura para Deus, o arrancamento do egoísmo, a purificação do pecado e a entrega total a Deus, porque ninguém pode viver com Deus sem pertencer totalmente a ele. (Roque Brugnara)

Ainda pesquisando, encotrei mais duas citações bíblicas em que se baseia a Igreja para justificar a existência do Purgatório:

“Mas, se o tal administrador imaginar consigo: ‘Meu senhor tardará a vir’. E começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar (…) e o mandará ao destino dos infiéis. O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes”. (Lucas 12,45-48)

“Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele não te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo”. (Mateus 5, 25-26)

Concluindo: Sim, a Igreja ensina que a purificação no Purgatório traz grande sofrimento para as almas que o habita, mas difere grandemente do sofrimento terrestre, na medida em que estas almas têm a certeza de que entrariam, brevemente ou não, no Paraíso. A Igreja ensina que os habitantes da Terra (os vivos), através de sacrifícios, sofrimentos, orações, missas e boas obras e indulgências, podem ajudar os seus irmãos que estão no Purgatório a aliviarem o seu sofrimento e acelerarem a sua purificação. Daí o conceito de comunhão dos santos.
No fim do mundo, o Purgatório desaparecerá, com todas as almas que lá se encontram a entrarem no Paraíso, depois de longas purificações. (Wikipédia)
Imagem Purgatório - Wikipédia
Imagem Inferno - Wikipédia - Ilustração medieval do inferno no Hortus deliciarum, manuscrito de Herrad de Landsberg (cerca de 1180).

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Novíssimos... Julgamento Particular...

Na vida de toda pessoa existe o mal em forma de pecado, de doença, de dor, de trauma, de recalque, de frustração e de falta de relacionamento com Deus. Mas sobre ela também atua a força salvadora de Jesus Cristo. Depende da própria pessoa aceitar ou recusar a Boa-Nova. No momento da passagem define-se o destino: o julgamento ou juízo decide sobre o modo de existir da pessoa após a morte. É um fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem o julgamento (Hb 9,27).
Esse julgamento não é simples balanço de pecados e boas obras. O espírito humano, conhecendo a Deus face a face e tendo a visão clara de sua exigência, define-se para o estado de vida que lhe cabe por justiça. O julgamento particular é a prestação de contas, diante de Deus, daquilo que a pessoa é no mais profundo do seu ser (1Cor 4,5; 1Cor 5,10).
Pelo dom da liberdade responsável, cada atitude tomada em sua vida aproximou-a ou afastou-a de Deus. Na presença de Deus, a pessoa tem visão completamente clara de sua vida.
11. Vi, então, um grande trono branco e aquele que nele se assentava. Os céus e a terra fugiram de sua face, e já não se achou lugar para eles. 12. Vi os mortos, grandes e pequenos, de pé, diante do trono. Abriram-se livros, e ainda outro livro, que é o livro da vida. E os mortos foram julgados conforme o que estava escrito nesse livro, segundo as suas obras (Ap 20,11-12).
Roque Brugnara

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Novíssimos... Morte e Vida Eterna...

Vimos o significado de “Novíssimos”...
As últimas coisas que devem acontecer a cada um de nós ao final de nossa vida.
Jesus falou da vida eterna e prometeu-a aos que cressem - "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Não definiu a eternidade: deixou que nós a compreendêssemos por nossa própria reflexão.
O tempo é grandeza física, ligada à matéria e dela dependente. O tempo só existe para nós enquanto estivermos ligados à matéria. Pela morte, nosso espírito separa-se da matéria e do tempo e entra na eternidade.
Eternidade não é soma de muitos anos nem tempo infinitamente longo: é ausência de tempo e de matéria, realidade completamente nova para quem vive no tempo e no espaço.
Na eternidade, sem limitação de espaço e tempo, a pessoa atingirá seu estado definitivo. Terá tudo em plenitude: felicidade, alegria e paz, se alcançar a vida junto ao Pai, prometida por Jesus: "Na casa do meu Pai há muitas moradas. Não fora assim eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar" (Jo 14,2).
Tais verdades reveladas por Jesus são luzes a iluminar nosso caminho: conhecendo o que acontecerá, cada um tem oportunidade de preparar-se,
vivendo de tal forma que possa enfrentar com confiança e esperança o que virá.
A morte é mistério
, ao qual o coração humano não consegue acostumar-se. É o fim inevitável da existência neste mundo, fatalidade absurda para quem não crê e, para os que creem, dolorosa, mas feliz passagem para a vida nova, para o novo nascimento.
Ela tem estes dois aspectos fim e começo.
O próprio Jesus, como homem, conheceu a angústia diante da morte (Mc 14,33-36). Ele não eliminou a morte física, mas deu-lhe sentido de oferenda ao Pai pela entrega total em suas mãos, condição para a passagem do terreno para o eterno.
A morte é o verdadeiro nascimento pelo qual o ser humano passa de uma forma de existência para outra.
A Bíblia apresenta a morte como consequência do pecado humano (Rm 5,12). Jesus venceu o pecado e a morte aceitando-a e fazendo dela a maior expressão de amor: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos" (Jo 15,13).

Os cristãos têm grandes motivos para confiar nas promessas de Deus.

13. Irmãos, não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais, como os outros homens que não têm esperança. 14. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram. 15. Eis o que vos declaramos, conforme a palavra do Senhor: por ocasião da vinda do Senhor, nós que ficamos ainda vivos não precederemos os mortos. 16. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. 17. Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. (1Ts 4,13-17)

Roque Brugnara

Novíssimos... Que significa?

Quem reflete sobre o sentido da vida questiona-se: Por que sofrer? Por que a morte? Que há além da morte? E as perguntas sobre o destino após a morte ficam sem resposta definitiva, porque ninguém jamais voltou para narrar as realidades do além.
Nós já tratamos neste Blog destes temas,
mas sempre podemos aprender mais,
aprofundar mais...

Quase todas as religiões creem que o espírito humano subsiste após a morte, mas a única confirmação dessa nova forma de existência nos foi dada por Jesus Cristo. Inúmeras vezes ele prometeu a vida eterna e por sua ressurreição deu-nos a esperança dessa vida. Apesar disso, a morte continua indesejável, contrária à nossa vontade de viver.
A civilização ocidental reflete pouco sobre o futuro humano e, por não ter esperança, tenta esconder a dramaticidade da morte. Mas a presença da morte nos lembra que a vida é passageira e que o valor humano mais fundamental é o ser. A morte deveria despertar os vivos a rever sua escala de valores e seu modo de viver. Parece bem verdade que o sentido da vida depende do sentido da morte.
Então se pergunta: O que são os Novíssimos?

Novíssimos são as coisas mais novas, as últimas coisas que devem acontecer para cada homem no final de sua vida terrena. São os fatos relacionados à passagem desta vida para a eternidade: morte, julgamento particular, céu ou inferno, purgatório, ressurreição e juízo final”. (Roque Brugnara)
Origem da palavra: O termo "Novíssimos" é de origem bíblica, e pode ser encontrado no livro do Eclesiástico (também conhecido como Sirac), presente nos dias de hoje apenas nas edições católicas da Bíblia: "Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e jamais pecarás". (Eclo 7,40). Desde os primeiros séculos de tradição cristã, é de costume nos mosteiros e abadias o exercício mental da lembrança da morte e suas conseqüências, como forma de disciplinar o coração e cultivar suas virtudes. (Wikipédia)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

... Até o Fim

“Não; não pares.
É graça divina começar bem.
Graça maior persistir na caminhada certa,
Manter o ritmo...
Mas graça das graças é não desistir.
Podendo ou não podendo, caindo embora aos pedaços,
CHEGAR ATÉ O FIM...!”

Estas palavras de D. Hélder Câmara vêm a ser precioso programa de vida. Ir até o fim dos bons propósitos, sem ceder ao desânimo ou à tentação da volubilidade, apesar da monotonia da caminhada..., tal é o segredo das grandes façanhas. Há uma santa teimosia, penhor de vitória ou de entrada no Reino dos Céus. É o Senhor quem o diz: “O Reino dos Céus sofre violência, e violentos se apoderam dele” (Mt 11,12). Está claro que não se trata aqui da violência armada, mas da fortaleza daqueles que sabem superar todos os obstáculos para não perder a verdadeira meta.
Em outra passagem, diz Jesus que a semente boa (a Palavra de Deus) dá fruto múltiplo em clima de perseverança ou paciência tenaz (cf. Lc 8,15). Pouco adiantam a fé e o amor que não vão até o fim. Quem percorre a Escritura, encontrará muito frequentemente a recomendação da perseverança heróica: “Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida” (Ap 2,10; cf Mt 10,22; 24,13).
Compreende-se bem tal ênfase. Já um famoso ateu de nossos tempos, Albert Camus (+ 1960), dizia que o que mais o contristava era ver que a maioria dos homens não chega ao termo do seu ideal. Param no meio do caminho, pois tudo o que é grande e belo, também é árduo e cansativo.
E a que haveria de se comparar uma criatura que não chega ao seu fim? – Poderia dizer-se que ficou anã no plano espiritual ou na linha da sua estatura definitiva. Uma estatura física anã não implica culpa da parte do respectivo sujeito, mas ser anão(ã) no tocante aos valores definitivos é muito grave, se se deve à covardia ou à pusilanimidade.
O medo e a mesquinhez de ânimo são males que ameaçam todo homem. O cristão, chamado a tudo o que há de mais nobre, tem consciência disto e pede ao Senhor a graça das graças: “a de não desistir; podendo ou não podendo, caindo embora aos pedaços, CHEGAR ATÉ O FIM!”.
Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.
Revista Pergunte e Responderemos - Junho 1991 – nº 349

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Que nos prescreve o 5º Mandamento da Igreja?


O 5º Mandamento da Igreja: “Pagar dízimos segundo o costume”, nos manda contribuir para as despesas do culto e o sustento dos Ministros do altar, na forma que se costuma ou que os Bispos determinem. Trata-se de um dever, imposto pelo próprio Direito natural e divino, como lembra o apóstolo São Paulo (1Cor 9,13-14): quem serve ao altar e trabalha na evangelização do povo merece viver do altar e do Evangelho, sem precisar perder o seu tempo numa profissão secular remunerada (Presbyterorum Ordinis, 20).

Não é feia simonia* pagar por um Batizado ou por uma Santa Missa?
A espórtula ou estipêndio, tabelado pela Cúria Diocesana, para se dar na ocasião de alguns atos religiosos, substitui os dízimos, onde estes não se recolhem de outro modo. Advirtamos porém que nunca se compram os Sacramentos – de valor espiritual e infinito – nem o bom sacerdote deixará de administrá-lo aos pobres que então nada lhe possam oferecer.
*Conferir significado de Simonia:

O Mistério da Iniquidade...

Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.

Em nossos dias, ao lado de exótico pulular de correntes religiosas, registra-se forte ateísmo prático, que se exprime na degradação de costumes da nossa sociedade, a ponto de se enumerarem novos pecados capitais: corrupção, cinismo, irresponsabilidade... (Folha de São Paulo, 3º cad., 7/4/96).

Esse declínio moral faz pensar em palavras de Max Planck (+1947), físico alemão, Prêmio Nobel 1918:
“Existe um ponto na imensidade da natureza que... é e permanecerá inacessível a toda ciência e, por isto, a todo estudo de causas; esse ponto é o nosso eu... Um pequeníssimo ponto do universo, que constitui todo um universo, o universo que encerra em si, junto da mais profunda dor, a mais excelsa felicidade; o universo que abraça o complexo de nossos pensamentos, de nossos sentimentos e de nossos desejos e cuja posse ninguém nos pode arrebatar”.
O cientista refere-se assim ao mistério do homem, que ele julga impenetrável. Em linguagem de fé pode-se desenvolver o pensamento de Planck, afirmando que o homem traz em si o sinete do Criador ou a marca do Transcendental. Cercado de bens transitórios, ele é inquieto à procura de Alguém que lhe satisfaça plenamente; e este é Deus. Com outras palavras; o homem é como a agulha magnética; foi feita para o Norte, que é invisível, mas que atrai intensamente; ela não descansa enquanto não se volta para o Norte (que no caso do homem é o Senhor).

Blaise Pascal (+ 1662) exprime o mesmo mistério, dizendo que o homem é um caniço frágil e quebradiço, mas um caniço pensante – o que lhe confere enorme dignidade e a capacidade de dominar montanhas e rios e até mesmo os espaços cósmicos; esse caniço é capaz de conceber a Verdade Absoluta e o Bem sem limites, de modo que ele os procura incessantemente.

São estes alguns eloqüentes testemunhos... Dão a entender que o senso de Deus é algo congênito no ser humano; somente uma deformação pode explicar a distorção da escala de valores ou a corrida ao dinheiro, à volúpia e ao poder, que são falsos deuses, aptos a desfigurar os seus clientes.
Carl Gustav Jung (+ 1961), em sua sabedoria de psicanalista, pode observar:
Entre todos os meus pacientes que estavam na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de trinta e cinco anos de idade, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão de sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes porque tinham perdido aquilo que uma religião viva sempre deu em todos os tempos aos seus adeptos; e nenhum se curou realmente sem recorrer à atitude religiosa que lhe fosse própria”.
Donde se vê que a perda de Deus é a perda do homem. – Tais reflexões interpelam os cristãos. Por que há tanto ateísmo degradante? Será que o sal da terra está perdendo o seu sabor? Será que a lâmpada do candelabro deixou empalidecer o seu brilho?
Sem o saber talvez, o mundo muito espera dos discípulos de Cristo.
Revista Pergunte e Responderemos
Junho 1996 – nº 409

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Que é a virtude da Fé?

Uma das virtudes teologaisVide “Virtude” neste Blog.


É uma virtude sobrenatural infusa em nossa alma, pela qual, com o auxílio da graça divina, cremos firmemente todas as verdades reveladas por Deus e propostas pela Igreja, não em força da evidência das coisas, mas em vista da autoridade do próprio Deus, que não nos pode enganar nem ser enganado. Aliás, Ele confirmou com verdadeiros milagres a divindade de Cristo e de sua doutrina (Vat. I, s. III. 3. Cân. 4 – Denz. B. 1813).

Que verdades devemos crer para a salvação?

Para nos salvarmos, devemos crer explicitamente na existência de Deus, como Criador e Remunerador, e nos mistérios da Santíssima Trindade, da Encarnação e da Redenção. (Hb 11,6; Mc 16,16). Os demais dogmas, que Deus revelou e a Igreja ensina, devemos crer ao menos implícita e globalmente. Basta porém, negar um só dogma para perder-se a fé (1Tm 1,19).

Somos obrigados a professar publicamente nossa Fé?

Quando nosso silêncio, excusa ou modo de agir importassem claramente numa negação da Fé ou desprezo da Religião, injúria a Deus e escândalo do próximo, somos obrigados a professar de público nossa Fé, ainda que arrisquemos com isto nossa própria vida. Aliás, ordinariamente – como diz o Concílio Vaticano II – “a mesma natureza social do homem exige que ele manifeste externamente seus atos internos de Religião, que se comunique com os outros em matéria religiosa, e que professe a sua Religião em forma comunitária” (Dignitatis Humanae, 3).


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Jejum e Abstinência...

O 4º Mandamento da Igreja
Jejuar e abster-se de carne, quando manda a Santa Madre Igreja
Que nos ordena a Igreja no seu 4º Mandamento?

Pelo seu antigo 4º Mandamento, a Igreja nos manda jejuar e abstermo-nos de carne nos dias prescritos. Pela recente Constituição Apostólica Poenitemini (17-2-1966), se amplia o sentido e o dever cristão da prática da penitência, estabelecendo os modos fundamentais para obedecer a esse preceito divino, conforme a tríade tradicional “oração-jejum-caridade”. Em união com o Sacrifício Redentor de Cristo, a Igreja convida todos os fieis a juntarem suas penitências exteriores à conversão interior do espírito, ou seja, ao arrependimento dos pecados, além das renúncias impostas pelo peso da vida cotidiana, com as obrigações do próprio estado (Penitemini, ns. 23.30).

Quais são os dias atualmente prescritos para o jejum e a abstinência de carne?

Para a Igreja universal atualmente só se prescrevem dois dias de jejum e abstinência, no tempo da Quaresma, que conserva seu caráter penitencial: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira da Paixão, associando-nos aos sofrimentos do Senhor. As outras sextas-feiras do ano, quando não caiam em festa de preceito, são dias de abstinência de carne, ou dias obrigatórios de penitência (Poenit 39). Dir. Can. 1250-1251.

No Brasil, estamos dispensados destas abstinências de todas as sextas-feiras?

Conforme determinação da Conferência dos Bispos do Brasil, a abstinência das sextas-feiras (exceto a da Semana Santa) pode ser comutada por outras formas de penitência, principalmente por obras de caridade e por exercícios de piedade, por exemplo: esmola, visita aos doentes, leitura espiritual, terço meditado etc. (Poenit. 47).

A quem e a que obriga a lei do jejum?

A lei do jejum obriga todos os fieis, de 21 anos completos a 60 começados, “a fazer uma única refeição durante o dia, mas não proíbe tomar um pouco de alimento pela manhã e à noite, atendo-se – no que respeita à quantidade e à qualidade – aos costumes locais aprovados” (Poenit 41 e 42).

Que proíbe a lei da abstinência de carne?

A lei da abstinência – à qual estão obrigados todos que completaram 14 anos – “proíbe o uso de carne, mas não o uso de ovos, laticínios e de qualquer condimento, mesmo de gordura animal”. “Aos de idade inferior, apliquem-se os pastores de almas e os pais, com particular cuidado, a educá-los no verdadeiro sentido da penitência”, que inclui a expiação dos pecados, e o auxílio a vencer as tentações, facilitando a oração e a prática das virtudes (Poenit. 40,42, 43).

Será grave a obrigação deste Mandamento?

Sim, a observância substancial deste Mandamento da Igreja obriga-nos gravemente, de sorte que, no conjunto, será pecado mortal premeditadamente não jejuar ou não abster-se de carne nem fazer outra penitência nos dias estabelecidos, sem causa justa ou sem dispensa da autoridade competente: confessor, pároco, bispo (Poenit. 38).
Doutrina Católica - Compendiada para adulto - Pe. Luiz G. da Silveira D'Elboux, S.J.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Oração da Terceira Idade

É nesse clima de corajosa devolução que todo idoso pode pronunciar saudavelmente esta oração da terceira idade:


Senhor,
ensina-me a envelhecer.
Convence-me de que a comunidade não me faz nenhum agravo
se me vai “exonerando” das responsabilidades,
se não mais solicita minha opinião,
se escolhe outros para ocuparem meu lugar.
Despoja-me do orgulho da experiência acumulada
e da veleidade de me julgar insubstituível.
Que eu saiba ver, no gradativo
desprendimento das coisas,
apenas a lei do tempo;
que eu descubra,
nesta transferência de encargos,
uma das palpitantes expressões da vida que se renova
sob o impulso da tua Providência.
Faze, Senhor, que eu consiga ser ainda útil nesta terra
contribuindo com o entusiasmo e com a oração
para a alegria e a coragem de quem recebe
o turno das responsabilidades;
Que eu viva sem perder o contato humilde e sereno
Com o mundo em transformação;
que eu não lamente o passado,
mas saiba fazer de meus sofrimentos pessoais
um dom de reparação social.
Senhor,
faze que meu afastamento do campo de trabalho
seja tão simples e natural como
um sereno e feliz luminoso pôr-do-sol.


João Mohana

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Igreja: Para quê?

Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.

Em nossos dias há cristãos que professam Jesus Cristo, mas são avessos à Igreja, que eles não frequentam por diversos motivos ou, às vezes, sem motivo algum. Privatizam a sua fé, como se diz.
Tal atitude não é cristã. Deriva-se do desconhecimento do que seja realmente o Cristianismo. Com efeito; ser cristão não é simplesmente crer em Deus e valer-se dos benefícios espirituais (reconforto, estímulo...) que o Evangelho proporciona. É crer em Deus como Jesus Cristo O revelou.
Ora o Deus da Revelação cristã é precisamente o Deus da Aliança..., Aliança Antiga travada com os patriarcas, e Aliança Nova, selada pelo sangue do próprio Cristo. Jesus se apresentou como o Mediador da nova e definitiva Aliança. Esta não diz respeito apenas à coletividade, mas refere-se a cada um dos seres humanos. Por conseguinte, ser cristão significa ser membro de um povo com o qual Deus fez Aliança, e participar da vida desse povo.
A Aliança, na Escritura, é comparada à união nupcial: Deus quer ser o Esposo da Filha de Sion (cf. Is 54, 5-7); fazendo-se homem em Jesus Cristo, Ele é o Esposo da Igreja (cf. Ef 5,25-30; 2Cor 11,2); trata-se, pois, de um pacto de amor destinado a transmitir a vida divina aos homens. Ora cada cristão é uma miniatura da Igreja (mikroekklesia); ele comunga com a Igreja e realiza em si uma parcela da Aliança existente entre Cristo e a Igreja.
Jesus, em sua paciente tarefa pedagógica, quis suscitar nos discípulos a consciência dessa grande realidade de viverem em comunhão...: “Não temais, pequeno rebanho...” (Lc 12,32). “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio” (Jo 20,21), “Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. Quanto te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22,31s).
De resto, não poderia ser outro o caminho de crescimento espiritual do cristão. Como seres humanos, fomos feitos para viver em sociedade (família, escola, profissão...), onde encontramos os meios para nos desenvolver e realizar plenamente, saindo de nosso egoísmo. Também assim se processa a nossa santificação: é na Igreja, onde Cristo vive como em seu sacramento primordial, que recebemos a vida divina e o penhor da herança eterna.
As falhas que possamos encontrar em nossos irmãos, não nos surpreendem, visto que ninguém está isento de cometer iguais ou piores. O mistério da Encarnação ou do Deus revelado através do humano se prolonga na vida de cada cristão... Sem isso o Cristianismo é rótulo, é um belo nome esvaziado de seu rico conteúdo.
Revista Pergunte e Responderemos – Agosto 1993 – nº 375
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Oração Universal

Papa Clemente XI +1721

Senhor, creio em vós, fazei que creia com mais firmeza;
espero em vós, fazei que espere com mais confiança;
amo-vos, aumentai o meu amor;
arrependo-me, avivai a minha dor.

Adoro-vos como primeiro princípio;
desejo-vos como último fim;
exalto-vos como benfeitor perpétuo;
invoco-vos como defensor propício.

Dirigi-me com a vossa sabedoria;
atraí-me com a vossa justiça;
consolai-me com a vossa clemência;
protegei-me com o vosso poder.

Ofereço-vos meus pensamentos,
para que se dirijam a vós;
minhas palavras, para que falem a vós;
minhas obras, para que sejam vossas;
minhas contrariedades, para que as aceite por vós.

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