sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Culto aos Santos – Comentário
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
O culto aos Santos
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
“O que há no além?”
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Purgatório - Espórtulas ou honorários
Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
O Purgatório - Sufrágio pelas almas
1.Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.
Desde os primeiros séculos a Igreja tem orado pelos defuntos, principalmente na celebração da S. Eucaristia. O Concílio do Vaticano II, confirmando os dizeres de Concílios anteriores, convalidou tal praxe (ver textos à p. 145).
O fundamento teológico dos sufrágios pelos defuntos é o seguinte:
As almas, no purgatório, não podem acelerar o processo de sua purificação, pois são incapazes de merecer algo (o período de méritos é somente a vida presente). Contudo os cristãos na terra podem ser-lhes úteis em virtude da Comunhão dos Santos (ou Comunhão dos bens sagrados), que une todos os membros da Igreja entre si; já que todos os fieis – militantes, padecentes e triunfantes – formam o Corpo de Cristo, os méritos uns beneficiam os outros. Assim podem os fieis na terra satisfazer pelas almas no purgatório (ao passo que estas apenas podem “satispadecer”). Os sufrágios aplicados às almas do purgatório fazem com que estas sejam mais profundamente penetradas pelo amor de Deus, o qual nelas há de consumir mais rapidamente as impurezas do pecado.
2. Note-se, a propósito, que a comunicação de bens espirituais entre os fieis não conhece classes nem privilégios; todos os bens espirituais da Igreja circulam entre todos os membros desta. Por isto não é adequada a expressão “as almas mais abandonadas no purgatório”; todas as almas são beneficiadas pelos sufrágios gerais da Igreja; na há alma abandonada.
Mais explicitamente: não se deve conceber o purgatório como um cárcere, onde se encontrem prisioneiros de origens diversas; os que têm família numerosa e rica, aí recebem mais visitas e presentes, ou seja, passam melhor do que aqueles que pertencem a famílias pobres ou negligentes; poderão sair da prisão mais cedo do que os seus companheiros indigentes.
Evite-se transpor tal imagem, com suas categorias e classes, para o além-túmulo. O purgatório, de certo modo, transcende os conceitos que adquirimos neste mundo; pertence aos sábios e misteriosos desígnios salvíficos de Deus, a respeito dos quais a Revelação Divina é sóbria.
Por isso não se creia que uma alma do purgatório que na se beneficie de sufrágios - ou por não ter família, ou por só ter parentes incrédulos ou negligentes ou pobres ou negligentes ou pobres – é uma “alma abandonada”; na verdade, ela está envolvida pela infinita misericórdia de Deus, à qual se dirigem constantemente as preces e os sufrágios da Igreja peregrina na terra.
3. Assim também se vê que é infundida a objeção muitas vezes proferida: “As almas de famílias pobres, que não têm dinheiro para mandar celebrar a S. Missa, sofrerão mais, e mais tempo, no purgatório do que as almas dos ricos! O dinheiro é decisivo até no purgatório!”
Não se deve crer que essas regras de lógica terrestre e comercial sejam observadas também por Deus; o Senhor Altíssimo seria muito pobre, muito desfigurado, se atendesse menos solicitamente aos interesses daqueles que menos dinheiro têm em seu favor; herança monetária não significa primazia para alguém, diante de Deus. Jamais se deve esquecer que a graça e a misericórdia de Deus têm o primado sobre os esforços e as obras dos homens. As almas pobres, por conseguinte, são objeto do Amor salvífico de Deus tanto quanto as dos ricos; abstenhamo-nos de estabelecer uma ordem de prioridade nas relações de Deus com as almas.
Acontece, porém, que entre nós e as almas do purgatório há o dever de sufragar,... e de sufragar segundo determinada ordem: impõem-se à nossa caridade primeiramente aqueles que nos estão mais próximos (parentes, amigos, colaboradores, benfeitores...). A uma família cristã – pelo fato mesmo de ser cristã – toca o dever imperioso de sufragar as almas, a começar pelos membros defuntos dessa família.
4. E como sufragar?
Evidentemente a S. Missa, sendo o sacrifício da Cruz perpetuado para beneficiar os homens através dos séculos, é, da nossa parte, o meio mais eficaz para ajudar as almas do purgatório. Esta doutrina sempre foi professada e posta em prática pela Igreja.
É oportuno frisar que não se pode oferecer a Comunhão Eucarística como tal nem pelos vivos nem pelos defuntos; a Comunhão, enquanto sacramento, age apenas sobre o cristão a quem é dada; ninguém pode receber os sacramentos pelos outros. Todavia, na medida em que é obra boa e meritória, a S. Comunhão pode ser oferecida por vivos e defuntos.
Mencionem-se também as orações, particulares e comunitárias, dos fieis, a paciência nas provações de cada dia, os sacrifícios generosamente empreendidos por amor a Deus e ao próximo. – Deve-se frisar que o valor expiatório das obras boas e das preces pelos defuntos é dependente do grau de fervor e caridade de quem as cumpre.
5. Por último, observe-se que nos é impossível avaliar a duração do purgatório, pois este estado não é regido pelo sistema de anos e dias que na terra usamos, considerando os movimentos dos astros. No purgatório, a duração é representada pelos atos dos espíritos, atos de conhecimento e amor; cada um destes atos é uma unidade de duração ou um instante espiritual, e cada qual desses instantes pode corresponder a vinte, trinta ou sessenta horas do nosso tempo solar (como uma pessoa pode permanecer horas contínuas em êxtase, absorvida por um único pensamento); os atos sucessivos dos espíritos constituem a série dos instantes espirituais chamada “evo” ou “eviternidade”. Ora, já que não se vê qual a proporção vigente entre o tempo solar e o evo dos espíritos, torna-se-nos impossível avaliar a duração do purgatório para alguma alma.
A seguir: Espórtulas ou honorários
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Purgatório - Noções complementares
Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.
1. Paradoxalmente, o purgatório é também um estágio de vida cumulado de alegria,... de alegria a que nenhum dos prazeres da terra pode ser comparado. Com efeito, a alegria no purgatório jorra da consciência que a alma tem, de que ela pertence ao amor de Deus de modo irreversível. Ela sabe que é o amor que a purifica e que nela cresce para penetrá-la por completo.
Deve-se mesmo dizer que a alma no purgatório não deseja evitar este estado, pois reconhece que é um dom da misericórdia divina sem o qual ela não poderia atingir a sua consumação.
S. Catarina de Gênova (+ 1510) deixou no seu “Tratado sobre o purgatório” as seguintes reflexões, que merecem ser levadas em conta:
“Enquanto depende de Deus, vejo que o céu não tem portas, e aí pode entrar quem queira, pois Deus é todo bondade; mas a divina essência é tão pura que a alma, tendo em si algum empecilho, se precipita por si no purgatório, onde encontra essa grande misericórdia: a destruição do seu empecilho.
Enquanto a purificação não está terminada, essas almas compreendem que, caso se aproximassem de Deus pela visão beatifica, não estariam no seu lugar, e em consequência, experimentariam maior sofrimento do que ficando no purgatório” (cap. 9 e 16)
“Paz nenhuma é comparável à das almas do purgatório, excetuando a dos Santos no céu; e essa paz aumenta incessantemente pela influência progressiva de Deus sobre essas almas e à medida que os empecilhos desaparecem. A ferrugem do pecado é o obstáculo...; quando esta ferrugem se vai, a alma reflete cada vez mais perfeitamente o verdadeiro Sol que é Deus. sua felicidade aumenta na proporção em que a ferrugem diminui” (cap. 2).
“As almas do purgatório não podem desejar outra coisa senão permanecer onde estão, como Deus em justiça dispôs... Não podem dizer consigo mesmas: ‘Esta alma será libertada antes de mim’, ou ‘Eu antes dela’... Acham-se tão satisfeitas com as disposições de Deus a seu respeito que amam tudo que agrada a Deus” (cap. 1).
2. Vê-se, pois, que não se deve comparar o purgatório ao inferno. Neste as almas se acham incompatibilizadas com o amor e fixadas para sempre na aversão a Deus e ao próximo. Enquanto o purgatório é prenhe de esperança e caridade serenas, o inferno é a retorsão de todos os valores humanos e cristãos.
No inferno, além da ausência de deus, admite-se algo que a S. Escritura chama “fogo”, aguilhão físico e real, cuja natureza os teólogos não sabem explicitar com exatidão. Fala-se também de “fogo do purgatório”. Parece, porém, que não se trata senão de uma metáfora para designar o próprio sofrimento decorrente da dilação da visão face-a-face.
O conceito de “fogo do purgatório” provocou no século XV (época do Concílio de Florença) decidida repulsa por parte dos cristãos orientais separados de Roma; a estes o fogo do purgatório lembrava um inferno provisório, ou seja, uma aberração doutrinária.
Os cristãos do Oriente até o século XVII aceitavam, sem dificuldade, a ideia de uma purificação póstuma no sentido aqui exposto (sem menção de fogo). A partir do século XVII, porém, sob a influência de autores protestantes, têm hesitado em sua posição doutrinária. Não obstante, ainda hoje muitos aceitam uma purificação póstuma, evitando descer a pormenores e reconhecendo a eficácia da oração e dos sufrágios pelos defuntos.
A seguir: Sufrágios pelos defuntos
domingo, 25 de setembro de 2011
O Purgatório - Que é propriamente o purgatório?
Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.
Em termos mais positivos, diga-se:
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
O Purgatório – Magistério da Igreja
Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.
2) Magistério da Igreja
Até o século IV, a crença na existência do purgatório é atestada principalmente pelos sufrágios que os cristãos faziam por seus defuntos, mormente ao celebrarem a S. Eucaristia. A praxe dos sufrágios, usual já nos tempos de Judas Macabeu (século II a.C.), continuou sem interrupção na Igreja. Já que os cristãos não oram pelos réprobos, estas preces supõem fieis que, terminado o seu currículo terrestre, ainda não entraram na posse da bem-aventurança, podendo ser ajudadas nisto pelos irmãos sobreviventes na terra.
S. Agostinho (+ 430) e os escritores subsequentes afirmam mais explicitamente a existência da expiação póstuma anterior ao juízo universal.
O magistério da Igreja colheu e exprimiu a fé do povo de Deus em alguns documentos, que equivalem a definições doutrinárias.
Eis, por exemplo, um trecho da Constituição “Benedictus Deus do Papa Bento XII promulgada em 1336:
“A almas... dos fieis falecidos... dado que nada tenha havido a purificar quando morreram ou nada haja a purificar quando futuramente morrerem, ou – caso tenha havido ou haja algo a purificar – uma vez purificadas após a morte... essas almas, logo depois da morte e da purificação de que precisam,... foram, estão e estarão no céu” (Enquirídio, DS ns. 1000 [530]).
Como se vê, este documento ensina a necessidade eventual de purificação póstuma, purificação que, sendo transitória, preparara a entrada na visão celeste.
O II Concilio de Lião (1264) declarou:
“Se (os cristãos que tenham pecado) falecerem realmente possuídos de contrição e caridade, antes, porém, de ter feito dignos frutos de penitência por suas obras más e por suas omissões, suas almas, depois da morte, são purificadas pelas penas purgatórias ou catartéricas... Para aliviar essas penas, são de proveito os sufrágios dos fieis vivos, a saber, o Sacrifício da Missa, as orações, esmolas e outras obras de piedade que, conforme as instituições da Igreja, são praticadas habitualmente pelos cristãos em favor de outros fieis” (DS 1304 [693]).
O Concílio de Trento (1545-1563) reafirmou a existência do purgatório nos termos do anterior. Prescreveu aos bispos “fizessem que os fieis mantenham a creiam a sã doutrina sobre o purgatório” e “sejam excluídas das pregações populares à gente simples as questões difíceis e sutis e as que não edificam nem aumentam a piedade. Igualmente não seja permitido divulgar nem discorrer sobre assuntos duvidosos ou que trazem a aparência de falso. Sejam ainda proibidas como escandalosas e prejudiciais aquelas coisas que têm em vista provocar a curiosidade ou quem têm o sabor de superstição ou torpe lucro” (DS 1820 [983]).
Destas palavras depreende-se que o Concílio de Trento foi sóbrio e reservado nos seus pronunciamentos acerca do purgatório; procurou, sim, evitar que se confunda a doutrina da fé com expressões da fantasia popular.
Fazendo eco à constante doutrina da Tradição e do magistério da Igreja, o Concílio do Vaticano II na Constituição “Lumen Gentium” afirmou explicitamente três estado em que se possam encontrar os discípulos de Cristo: 1) o de peregrinação na terra; 2) o de purificação póstuma; 3) o de glorificação no céu, conseqüente da visão de deus face-a-face:
“O Sacrossanto Sínodo recebe com grande respeito a venerável fé de nossos antepassados sobre o consórcio vital com os irmãos que estão na glória celeste ou ainda se purificam após a morte, e propõe de novo os decretos dos Sagrados Concílios Niceno II, Florentino e Tridentino” (nº 51).
“Reconhecendo cabalmente a comunhão de todo o Corpo Místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os primórdios da religião cristã, venerou com grande piedade a memória dos defuntos e, porque é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados os seus pecados, também ofereceu sufrágios em favor deles” (nº 50).
“Até que o Senhor venha na Sua Majestade..., alguns dos seus discípulos peregrinam sobre a terra; outros, já glorificados, contemplando claramente o próprio Deus, uno e trino, tal qual é” (Const. “Lumen Gentium” nº 49).
Embora se achem em situações diversas (em via de consumação ou consumados), os fieis constituem uma só grande família, ou seja, “a comunhão de todo o Corpo Místico de Jesus Cristo” (ib. nº 50), pois “todos os que são de Cristo, tendo o seu Espírito, formam uma só Igreja e nele estão unidos entre si” (nº 49). A morte não acarreta interrupção da comunhão eclesial; ela não extingue a comunhão vital existente entre os fieis peregrinos na terra, os irmãos que já se encontram na glória celeste, e aqueles que estão ainda a purificar-se após a morte (cf. IB. nº 51). Ao afirmar esta proposição, o Concílio do Vaticano II apela explicitamente para os Concílios de Nicéia II (787), Florença (1439-1444) e Trento (1545-1563).
Não resta dúvida, pois, de que a doutrina do purgatório constitui um dogma de fé que a Igreja definiu outrora conscientemente e reafirma em nossos dias por seu magistério ordinário e extraordinário.
Importa agora verificar com exatidão qual o conteúdo desse ensinamento da fé.
A seguir: Que é propriamente o purgatório?
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
O Purgatório
3. Que é propriamente o purgatório?
4. Noções complementares
5. Sufrágios pelos defuntos
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Que haverá depois da morte?
Dom Estêvão responde:
sábado, 13 de novembro de 2010
Purgatório continuação - Desordem para o próximo e o mundo
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
O purgatório...
sábado, 23 de outubro de 2010
Um exemplo de psicofonia que ganhou fama internacional...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Fale a parapsicologia
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Os mortos falam aos vivos?
__________________
( ¹ ) Isto quer dizer: “Nesse romance (tivemos ou não ouseis) netinhos. Canta o nosso amigo”.
Católicos Perguntam - Dom Estêvão Bettencourt, OSB



