"PORQUE ONDE ESTIVER O TEU TESOURO, ALI ESTARÁ O TEU CORAÇÃO". Mt 6,21

sábado, 30 de janeiro de 2010

Oração da Terceira Idade

É nesse clima de corajosa devolução que todo idoso pode pronunciar saudavelmente esta oração da terceira idade:


Senhor,
ensina-me a envelhecer.
Convence-me de que a comunidade não me faz nenhum agravo
se me vai “exonerando” das responsabilidades,
se não mais solicita minha opinião,
se escolhe outros para ocuparem meu lugar.
Despoja-me do orgulho da experiência acumulada
e da veleidade de me julgar insubstituível.
Que eu saiba ver, no gradativo
desprendimento das coisas,
apenas a lei do tempo;
que eu descubra,
nesta transferência de encargos,
uma das palpitantes expressões da vida que se renova
sob o impulso da tua Providência.
Faze, Senhor, que eu consiga ser ainda útil nesta terra
contribuindo com o entusiasmo e com a oração
para a alegria e a coragem de quem recebe
o turno das responsabilidades;
Que eu viva sem perder o contato humilde e sereno
Com o mundo em transformação;
que eu não lamente o passado,
mas saiba fazer de meus sofrimentos pessoais
um dom de reparação social.
Senhor,
faze que meu afastamento do campo de trabalho
seja tão simples e natural como
um sereno e feliz luminoso pôr-do-sol.


João Mohana

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Igreja: Para quê?

Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.

Em nossos dias há cristãos que professam Jesus Cristo, mas são avessos à Igreja, que eles não frequentam por diversos motivos ou, às vezes, sem motivo algum. Privatizam a sua fé, como se diz.Tal atitude não é cristã. Deriva-se do desconhecimento do que seja realmente o Cristianismo. Com efeito; ser cristão não é simplesmente crer em Deus e valer-se dos benefícios espirituais (reconforto, estímulo...) que o Evangelho proporciona. É crer em Deus como Jesus Cristo O revelou.
Ora o Deus da Revelação cristã é precisamente o Deus da Aliança..., Aliança Antiga travada com os patriarcas, e Aliança Nova, selada pelo sangue do próprio Cristo. Jesus se apresentou como o Mediador da nova e definitiva Aliança. Esta não diz respeito apenas à coletividade, mas refere-se a cada um dos seres humanos. Por conseguinte, ser cristão significa ser membro de um povo com o qual Deus fez Aliança, e participar da vida desse povo.
A Aliança, na Escritura, é comparada à união nupcial: Deus quer ser o Esposo da Filha de Sion (cf. Is 54, 5-7); fazendo-se homem em Jesus Cristo, Ele é o Esposo da Igreja (cf. Ef 5,25-30; 2Cor 11,2); trata-se, pois, de um pacto de amor destinado a transmitir a vida divina aos homens. Ora cada cristão é uma miniatura da Igreja (mikroekklesia); ele comunga com a Igreja e realiza em si uma parcela da Aliança existente entre Cristo e a Igreja.
Jesus, em sua paciente tarefa pedagógica, quis suscitar nos discípulos a consciência dessa grande realidade de viverem em comunhão...: “Não temais, pequeno rebanho...” (Lc 12,32). “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio” (Jo 20,21), “Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. Quanto te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22,31s).
De resto, não poderia ser outro o caminho de crescimento espiritual do cristão. Como seres humanos, fomos feitos para viver em sociedade (família, escola, profissão...), onde encontramos os meios para nos desenvolver e realizar plenamente, saindo de nosso egoísmo. Também assim se processa a nossa santificação: é na Igreja, onde Cristo vive como em seu sacramento primordial, que recebemos a vida divina e o penhor da herança eterna.
As falhas que possamos encontrar em nossos irmãos, não nos surpreendem, visto que ninguém está isento de cometer iguais ou piores. O mistério da Encarnação ou do Deus revelado através do humano se prolonga na vida de cada cristão... Sem isso o Cristianismo é rótulo, é um belo nome esvaziado de seu rico conteúdo.Revista Pergunte e Responderemos – Agosto 1993 – nº 375
Imagem: gentedefe.com/thiagosmcj/

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Oração Universal

Papa Clemente XI +1721

Senhor, creio em vós, fazei que creia com mais firmeza;
espero em vós, fazei que espere com mais confiança;
amo-vos, aumentai o meu amor;
arrependo-me, avivai a minha dor.

Adoro-vos como primeiro princípio;
desejo-vos como último fim;
exalto-vos como benfeitor perpétuo;
invoco-vos como defensor propício.

Dirigi-me com a vossa sabedoria;
atraí-me com a vossa justiça;
consolai-me com a vossa clemência;
protegei-me com o vosso poder.

Ofereço-vos meus pensamentos,
para que se dirijam a vós;
minhas palavras, para que falem a vós;
minhas obras, para que sejam vossas;
minhas contrariedades, para que as aceite por vós.

Imagem: http://www.hotelvillasancarloborromeo.com/en/html/history.htm

"... Aquilo para que fui criado"

Santo Anselmo (+ 1109) foi monge beneditino e arcebispo de Cantuária (Inglaterra). Deixou vários escritos preciosos, que lhe mereceram o título de “Doutor da Igreja”. Nesses escritos encontram-se orações, das quais uma vai, a seguir, especialmente destacada:

Que há de fazer.
Ó Senhor Altíssimo,
Que há de fazer
Este teu exilado tão longe?

Que há de fazer
Este teu servo
Ansioso pelo teu amor
E lançado longe de tua face?

Anseia por te contemplar
E quão grande é
A ausência de tua face!

Tu és o meu Deus
Tu és o meu Senhor.
E eu nunca te vi.
No entanto


Fui criado para te ver.
E ainda não fiz aquilo
Para que fui feito.

Este belo texto sugere reflexões:

1)
“Exilados...”. Exilado é aquele que sabe estar longe da pátria; é caminheiro e viandante em demanda do regaço definitivo. Assim sentia-se Anselmo, como aliás também São Paulo, que escreveu: “Sabemos que, enquanto habitamos neste corpo, estamos fora da nossa mansão, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé e não pela visão” (Cor 5,6s). De modo semelhante todo cristão tem consciência de estar à procura de algo maior e definitivo que responda às suas aspirações mais profundas; anseia por ver a Beleza Infinita.
2) “... Aquilo para que fui feito”. Todo ser humano pode dizer que fez muita coisa na vida ou realizou tudo o que estava ao seu alcance; apesar disto a fé lhe replica que ainda não realizou o grande ato para o qual foi criado: ver Deus face a face. As demais tarefas efetuadas neste mundo são subsídios para que atinja o supremo termo que é a razão da sua existência. Esta afirmação pode causar surpresa a quem a ouve pela primeira vez, mas é lógica decorrência da mensagem do Evangelho. Bem dizia Santo Agostinho: “Senhor, Tu nos fizeste para Ti e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti” (Confissões I, 1). Todo cristão pode dizer com Cristo: “Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai” (Jo 16,28).
3) Em consequência, a vida terrestre toma a feição de uma grande preparação ou de um noviciado para um encontro face-a-face com a Beleza Infinita, única resposta cabal para os anseios mais profundos do ser humano. Esta afirmação não significa alienação aos deveres de estado de cada um, mas ao contrário, infunde nova energia e novo estímulo ao cristão peregrino e lutador neste mundo.

Possa a oração de Santo Anselmo tornar-se a prece contínua de cada amigo de Deus, que não pode deixar de aspirar à plenitude da vida!

Dom Estêvão Bettencourt
Revista Pergunte e Responderemos – Setembro 2001 – nº 472
Imagem: heroismedievais.blogspot.com/

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Pobreza, Obediência, Castidade... São Francisco de Assis...

A pregação de Francisco alicerçava-se sobre dois pontos principais: Amor recíproco e desprezo das vaidades mundanas. Dessas pedras angulares a todos erguia ao fastígio do Divino Amor, cujo suave incêndio sabia comunicar também aos corações mais empedernidos pelo pecado.
A pregação e o exemplo não eram dois aspectos de sua santa vida, senão que eram a própria vida em essência; e, visto como uma correspondência perfeitamente à outra, ele que pregava a virtude do Evangelho, era depois de Jesus, pessoalmente a encarnação mais perfeita do mesmo Evangelho.
Se, conforme dizia Tertuliano, cristão significa “Alter Christus”, Francisco foi outro Cristo até o ponto em que o podia ser em vista de sua natureza humana. O próprio Cristo tomou de si de confirmar tal juízo feito pelos homens sobre o Pobrezinho de Assis, quando, inspirando Santa Margarida Maria Alacoque, numa de suas celestes visões, a fez dizer, em nome de Jesus: “Eis o Santo que sinto mais perto de meu Coração”. Sim, pois que é pelo amor que nos avizinhamos de Deus, renunciando a nós próprios e abismando-nos na humildade. E este amor e esta humildade de Francisco se refletem em toda a sua vida admirável, e mais ainda sobre a sua Regra, que, compreendida sob 23 capítulos, gira em torno do Evangelho e ilumina os três grandes votos da Pobreza, Obediência e Castidade.
A pobreza chama a renúncia, e a renúncia não se pratica senão por amor e humildade. A obediência chama a renúncia da própria vontade, e por isto chama ao amor à vontade de Deus, expressa na do nosso Superior. A obediência não subsiste sem humildade.
A castidade implica no amor de Deus, incriada pureza, e se Ele quis fazer refulgir em Jesus, Maria e José, tão excelsa virtude, certamente é por ser esta a virtude que mais ama e que mais perfuma os ambientes celestes.
Castidade é renúncia ao mais sensível, ao mais material dos prazeres terrenos, o que não pode deixar de constituir uma elevação espiritual, como não pode deixar de ser humildade. Porquanto, viver em castidade, no meio do mundo, não é possível, sem que nos impregnemos, sem que nos encouracemos de humildade. Eis porque o nosso Santo, possuindo todas essas virtudes em grau supremo, foi um serafim na terra, e uma cópia do Divino Mestre.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Crucifixo do Haiti...

Padre Francisco Agamenilton Damascena
Vice-reitor do Seminário Diocesano São José
Uruaçu - GO



("Deus dá muitos sinais àqueles que querem ter fé. E dá muitos sinais de
fortalecimento àqueles que já têm a fé".)

Acabo de ver a imagem do Crucifixo da Igreja Sacre Coeur du Tugeau, no Haiti, exibida pelo Fantástico, programa da Rede Globo. O templo sagrado desabou e restou aquele Crucifixo, quase intacto, grande, erguido, exposto aos olhares que banham de lágrimas as noites haitianas. As pessoas param em frente a ele, choram e rezam.

Esta imagem provoca o ser pensante. Por que foi assim? Por que aquele Crucifixo resistiu ao equivalente a 30 bombas nucleares como a de Hiroshima? E Cristo ficou ali. Parece ser aquela Sexta-Feira Santa, em Jerusalém, no alto do Calvário.

Pus-me a pensar e contemplar a chocante cena. Abri as Sagradas Escrituras e pus-me a ouvir o Senhor. O Filho do Homem permaneceu naquele lugar, representado pela imagem, para dizer, aos sofredores haitianos, que eles não estão sozinhos e, aos povos do mundo, que cuidem deles. Jesus Cristo está crucificado com eles e eles com Cristo. "Suas dores são minhas dores; suas lágrimas são minhas lágrimas; seu sangue é o meu sangue. Estou na cruz despido, como vocês que agora se encontram despidos de tantos bens." Como disse o Profeta Isaías: "a verdade
é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores"
(Is 53,4).

Os braços do Filho de Deus permaneceram abertos em Porto Príncipe para acolher o clamor de homens e mulheres transpassados pela lança da destruição, da fome, da sede, da perda de esperanças. O lado aberto do Cordeiro de Deus ficou ali, às margens da rua destruída, para dar descanso e consolo aos que ainda gritam por socorro debaixo dos escombros de uma cidade cujo concreto tombou sobre vidas cheias de sonhos. "Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos e eu vos darei descanso" (Mt 11,28). O Crucificado resistiu às forças cósmicas para dar refúgio e abrigo aos que vagueiam pelas ruas sem destino.

O Crucifixo do Haiti foi mais forte que o terremoto para manter viva na mente e coração dos que por aquela rua passarem a boa notícia: "prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão" (Jo 15,13). Ali ficou uma imagem sagrada feita de matéria, porém, ao seu lado, ficaram os corpos de homens e mulheres, que viveram até o fim o Mandamento Novo. Eles foram imagens vivas do Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas. Trata-se da Dra. Zilda Arns e quinze sacerdotes, irmãs e fiéis presentes naquela igreja no momento da tragédia. Eles estavam juntos porque queriam amar intensamente as crianças daquela nação que esperavam por vida e vida em abundância.

O Crucifixo do Haiti permanece erguido e o Espírito de Deus fala aos corações das pessoas de bem que salvam aquela sofrida gente. "Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; ... Todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!" (Mt 25, 35-36.40).

O Crucificado ressuscitou e enviou do Pai o Espírito Santo renovando todas as coisas. Ele ficou naquela destruída rua para dizer: "Coragem, eu venci o mundo" (Jo 16,33). Em meio ao caos da maior tragédia enfrentada pela ONU, há esperança, a luz dissipa as trevas em cada pessoa resgatada com vida, e em cada criança amparada. E o brilho volta a resplandecer nos olhos que agora choram os mortos. É a força criativa e reconstrutora do Amor estampada no Crucificado do Haiti.


Agradeço e peço que Deus abençoe Pe. Agamenilton que permitiu pôr no Blog esta belíssima e muito profunda reflexão. Calaram fundo suas palavras... Olhando o crucifixo compreendi, mas expressar em palavras... Quando li o texto, ali estava o que queria dizer! O que significava! Deus o inspirou para que conseguíssimos compreender... Não há como não pensar ao ver Jesus de braços aberto para tamanha desgraça. No entanto, sente-se também que ele espera de todos nós: participação. Um sinal gritante de que Deus quer nos chamar a atenção para uma mudança. Chama-nos a sermos mais... humanos... mais preocupados com os menos favorecidos... Mistério de Amor que compreenderemos, agindo. Por isso, também, aproveito para pedir a Deus que proteja todos aqueles que estão e vão a serviço, em missão para o Haiti para apoiar e tentar minimizar tamanho sofrimento, que aqui, certamente, não conseguimos avaliar a extensão...

domingo, 24 de janeiro de 2010

O Grande Homem...

Mantém o seu modo de pensar independentemente da opinião pública.
É tranquilo, calmo, paciente, não grita nem desespera.
Pensa com clareza, fala com inteligência, vive com simplicidade.
É do futuro e não do passado.
Sempre tem tempo.
Não despreza nenhum ser humano.
Causa a impressão dos vastos silêncios da Natureza: o céu.
Não é vaidoso.
Como não anda à cata de aplausos, jamais se ofende.
Possui sempre mais do que julga merecer.
Está sempre disposto a aprender, mesmo das crianças.
Vive dentro de seu próprio isolamento espiritual, aonde não chega nem o louvor nem a censura.
Não obstante, seu isolamento não é frio: ama, sofre, pensa, compreende.
O que você possui: dinheiro, ou posição social, nada significa para ele.

Só lhe importa o que você é.
Despreza a opinião própria, tão depressa verifica o seu erro.
Não respeita usos estabelecidos e venerados por espíritos tacanhos.
Respeita somente a verdade.
Tem mente de homem e coração de menino.
Conhece-se a si mesmo, tal qual é, e conhece a Deus.

Oração da Sabedoria...

Senhor, dai-me a esperança para vencer minhas ilusões, todas.
Plantai em meu coração a sementeira do e ajudai-me a fazer feliz o maior número da humanidade possível, para ampliar seus dias risonhos e resumir as noites tristonhas.
Transformai meus rivais em companheiros, meus companheiros em amigos e meus amigos em entes queridos.
Não me deixeis ser um cordeiro perante os fortes e nem um leão diante dos fracos.
Dai-me o sabor de saber perdoar e afastai de mim o desejo de vingança.
Senhor, iluminai meus olhos para que eu veja os defeitos de minha alma e vendai-os para que não comente os defeitos alheios.
Senhor, levai de mim a tristeza e não a entregueis a mais ninguém.
Enchei meu coração com divina fé, para sempre louvar o vosso nome e arrancai de mim o orgulho e a presunção.
Deus, fazei de mim um homem realmente justo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A devoção aos Santos e a Maria Santíssima - Continuação...

A devoção a Maria Santíssima
Do livro: Católicos Perguntam – Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.
É neste contexto que se coloca a devoção a Maria Santíssima. No conjunto dos Santos, Maria ocupa um lugar único, pois foi chamada a ser a Mãe do Redentor e Mãe dos homens (cf Jo 19,25-27).
Disto se segue que a veneração dedicada pelos cristãos a Maria difere da devoção aos demais Santos. Prova disso é que existem verdades de fé (dogmas) concernentes a Maria, mas não os há em relação aos outros Santos.
Verdade é que os três dogmas marianos não são mais do que o eco de dogmas cristológicos. Com efeito, o Filho de Deus quis fazer-se homem (donde a Maternidade Divina); para ser digno habitáculo da Divindade, Maria nunca esteve sujeita ao pecado (donde a Imaculada Conceição) nem à consequência do pecado, que é o domínio da morte sobre o ser humano (daí a Assunção gloriosa aos céus).
A eminência do culto a Maria foi expressa pelo Concílio de Nicéia II, em 787, mediante o termo “hyperdulia” (superveneração), ao passo que os demais Santos são cultuados em “dulia” (veneração). Consequentemente, devemos dizer que a devoção a Maria não é facultativa, ao passo que a devoção a São Francisco ou São Bento o é.
A necessidade do culto de veneração a Maria se deduz do próprio Cristocentrismo da piedade cristã. Sim, São Paulo afirma que “fomos predestinados a ser conformes à imagem do Filho, a fim de ser ele o Primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8,20). Assim, quanto mais o cristão se configura à imagem de Cristo, ou quanto mais se identifica com ele, tanto mais terá em seu íntimo os sentimentos de Cristo. Ora, Jesus era todo Filho do Pai (como Deus) e todo Filho de Maria (como homem). Donde se segue que quanto mais centrado em Cristo for o cristão, tanto mais deverá sentir-se filho de Maria. A devoção mariana, portanto, está na lógica mesma do “ser um outro Cristo”, programa de todo cristão. O cristão deve procurar tornar-se, para Maria, um outro Jesus.
Diz, muito a propósito, o padre E. Schillebeechx: "Para quem está verdadeiramente consciente do papel de Maria, é impossível passar, sem Maria, uma vida que queira ser cristã, uma vida que não contrarie o apelo de Deus, não derrogue a ordem cristã, não negligencie as delicadas atenções de Deus. Os pregadores e as testemunhas da fé devem, por isso, levar a peito a pregação do mistério mariano e valorizá-lo, porque esse mistério (...) está na medula da religião cristã” (Maria, Mãe da Redenção, pág. 97). O mesmo autor desenvolve o papel de Maria na atual história da Igreja e de cada um de nós: “Em nossa vida, Maria é o coração que dá. O coração que compreende as nossas necessidades e que, maternalmente, as expõe ao Filho, o Deus que continua sendo seu Filho. Ela pode lhe dizer, como em Caná: ‘Eles não têm mais vinho’. Ah, se pudéssemos ouvir o colóquio de Jesus e Maria a nosso respeito, veríamos como estão sempre a par das nossas necessidades. Tudo como em Caná. O ‘eles não têm mais vinho’ vem a ser ‘falta-lhes dinheiro’, ‘estão na pior das misérias’, ‘seu pai está doente e a mãe tem oito crianças para educar’, ‘eles desejam conformar-se com as leis do matrimônio, mas..., mamãe partiu para uma longa viagem, diz o papai aos filhinhos, e papai não sabe se ela voltará...’ Não esqueçamos que a vida terrestre atual, de que se ocupam a gloriosa Mãe e o Filho glorificado, só será realmente abençoada se a relacionarmos com as palavras de Maria aos servidores de Caná: ‘Fazei tudo o que meu Filho vos disser’. Degustareis, então, o que ela vos der em nome do Divino Filho, e direis, como os convidados de Caná: ‘Guardaram o melhor vinho para o fim!” (Op.cit., pág. 121).
Conclusão:
Como se compreende, pode haver expressões inadequadas da piedade mariana, mais inspiradas pelo sentimentalismo do que pela reta fé. A esse propósito escreveu o Concílio do Vaticano II: “O Concílio exorta com todo o empenho os teólogos e os pregadores da Palavra Divina a que, na consideração da singular dignidade de Mãe de Deus, abstenham-se com diligência tanto de todo falso exagero quanto da demasiada estreiteza de espírito (...) Com diligência afastem tudo o que, por palavras ou fatos, possa induzir os irmãos separados, ou quaisquer outros, em erro acerca da verdadeira doutrina da Igreja. Ademais, saibam os fieis que a verdadeira devoção não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa certa vã credulidade, mas procede da fé verdadeira, pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, excitados a um amor filial para com nossa Mãe e à imitação de suas virtudes” (Constituição Lumen Gentium, nº 67).
Eis como se deve conceber a piedade para com Maria Santíssima e para com os demais Santos.
Imagem: saudedalma.blogspot.com/

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Oração de São Bernardo a Nossa Senhora

"Lembrai-vos"

Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria,
que nunca se ouviu dizer que algum daqueles
que têm recorrido à vossa proteção,
implorado a vossa assistência,
e reclamado o vosso socorro,
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, de igual confiança,
a Vós, Virgem entre todas singular,
como a Mãe recorro,
de Vós me valho e,
gemendo sob o peso dos meus pecados,
me prostro aos vossos pés.
Não desprezeis as minhas súplicas,
ó Mãe do Filho de Deus humanado,
mas dignai-Vos de as ouvir propícia
e de me alcançar o que Vos rogo. Amém.

Imagem e oração: www.tudook.com/portalcatolico/lembrai-vos_-_o...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Glorioso mártir São Sebastião...

...soldado de Cristo e exemplo de cristão. Hoje nós viemos pedir vossa intercessão junto ao trono do Senhor Jesus, nosso Salvador, por quem destes a vida.Vós que vivestes a fé e perseverastes até o fim, pedi a Jesus por nós para que nós sejamos testemunhas do amor de Deus.Vós que esperastes com firmeza nas palavras de Jesus, pedi a Ele por nós para que aumente nossa esperança na ressurreição.Vós que vivestes a caridade para com os irmãos, pedi a Jesus para que aumente nosso amor para com todos. Enfim, glorioso mártir São Sebastião, protegei-nos contra a peste, a fome e a guerra; defendei nossas plantações e nossos rebanhos que são dons de Deus para o nosso bem, para o bem de todos. E defendei-nos do pecado que é o maior mal, causador de todos os outros.

"Quem dizem que eu sou?"

Marcos 8,27
Monsenhor Augusto Dalvit

25.06.1989
Jornal Zero Hora
Porto Alegre – RS
Coluna: Vida Católica
O Cristo fez a seus Apóstolos esta pergunta: “Na opinião dos homens, quem dizem que eu sou?”
Pergunta importante e necessária que Deus faz a cada um ao longo da vida, colocando o conhecimento como ponto de partida para a posterior adesão.
Responderam os Apóstolos ao senhor:
“Uns dizem que és João Batista, outros, Elias ou algum dos Profetas”.
O povo no tempo de Jesus não sabia quem ele era. Diante das respostas equivocadas do povo, na opinião pública, Jesus prossegue o diálogo e pergunta:
“E vós, quem dizeis que eu sou!”
Decorridos vinte séculos o povo sabe quem é Jesus Cristo? Continua a perguntar e a receber resposta equivocadas. A primeira condição é o conhecimento de Jesus Cristo. Do conhecimento verdadeiro se passa para a aceitação de sua pessoa e missão, fazendo, então a opção consciente em favor de Cristo, em detrimento dos homens e das coisas, das pessoas e das situações, dos vícios e paixões.
Cedo ou tarde todos seremos levados a fazer a opção, por ele ou contra ele. Impossível ficar “em cima do muro” até a morte.
Hoje, como nos tempos de Cristo, poucos o conhecem, menos ainda o amam e o seguem. Conhecer para amar, diz o provérbio, que ensina ser o conhecimento caminho primeiro antes de chegar à vontade.
Hoje, continua o mundo a organizar sua vida sem Deus, ou o que ainda pior, contra Deus. Lembra o Papa que o homem moderno justifica o pecado. Diante disto adverte:
“Pode o homem organizar o mundo sem Deus, mas ai do homem se organiza o mundo sem Deus!”
Jesus Cristo continua a passar pelas estradas do mundo a perguntar: quem dizem que eu sou? E vós quem dizeis que eu sou? Pergunta ao mundo e pergunta à Igreja: que diz o mundo de mim?
Que diz a Igreja de mim?
Qual tem sido a resposta da Igreja ao longo dos séculos?

O sangue dos mártires, o testemunho dos confessores, a fidelidade dos apóstolos, a caridade dos santos, o amor dos justos, tudo isto, manifesta a resposta autêntica dos seguidores de Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, o único libertador, o único salvador do homem, aquele que gera a justiça, faz nascer a caridade, dá perdão e concederá a misericórdia.
Será que o anúncio de Jesus Cristo tem precedido à denúncia dos pecados? Pouco vale denunciar sem antes haver anunciado e proclamado o Evangelho íntegro e fiel.
Será que o Evangelho de Cristo está sendo proclamado com vigor e fé pelos cristãos? Quantos são os cristãos fieis entre os batizados? Foi esta preocupação que levou Paulo VI, na Evangeli Nuntiandi a exclamar:
- "O que é feito, em nossos dias, daquela energia escondida da Boa Nova, suscetível de impressionar profundamente a consciência dos homens?
- Até que ponto e como é que essa força evangélica está em condição de transformar verdadeiramente o homem deste nosso século?
- Quais os métodos que hão de ser seguidos para proclamar o Evangelho de modo a que a sua potência possa ser eficaz?” (E.N.4)
Ultimamente se tem pregado demais o homem ao homem, e pouco Jesus ao homem. Se Cristo, o Homem-Deus, não for pregado como no tempo dos mártires, dificilmente as consciências e as estruturas serão transformadas. Ele deverá ser conhecido, procurado, aceito, seguido e então, os cristãos fieis serão instrumentos de salvação e de conversão pelo poder da graça de Deus. Sabemos que a missão da Igreja é pregar e testemunhar Jesus Cristo. Os outros bens decorrem desta verdade, como consequencia, nunca como causas geradoras da transformação do homem.
Quem é Cristo para o mundo atual? O indesejado, o desconhecido, o supérfluo, o não amado, o que incomoda.
Quem é Cristo para a Igreja? Para a Igreja instituição, é o único Salvador, o verdadeiro Libertador do pecado, aquele que traz a paz, a justiça, a verdade, a vida verdadeira. É aquele que dá sentido ao viver e ao morrer.
Belo texto que encontrei no meio de meus arquivos já tão antigos... Eles, os arquivos... Mas a mensagem é atual e sempre será... Eterna... Que Deus abençoe este sacerdote onde quer que ele esteja por sua tão bela inspiração.

Oração para pedir a bênção de Maria para sua casa...

Por Dom Geraldo do Espírito Santo Ávila

Ó Senhora do Rosário, nossa Rainha e bondosa Mãe, abençoai esta nossa casa, amparai nossa família e livrai, todos os que aqui habitam, de todos os males, das doenças, dos acidentes, de todos os perigos que possam afligir o nosso corpo e a nossa alma.
Fazei reinar aqui a concórdia, a união, o respeito.
Ao vosso coração imaculado consagramos nossa família.
Seja esta casa como a casa de Nazaré, um lugar de paz, alegria e felicidade. Todos aqui cumpram a vontade de Deus, pela oração diária e leitura da Palavra do Senhor, pela Missa de cada domingo e por uma vida de amor e caridade.
Ó Virgem Maria, Senhora nossa, fazei com que um dia este lar que na terra a vós pertence, seja reconstituído no céu onde será nossa eterna morada.
Protegei-nos – guardai-nos – salvai-nos!
Reze todos os dias esta oração com a sua família – reze o terço todos os dias.
Imagem: http://www.virtude.blogger.com.br/NossaSenhoranova.jpg

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Resposta a um amigo homossexual...

Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.
Pergunte e Responderemos – julho 2005 - n. 517


Via internet, a Redação de PR recebeu a seguinte mensagem:

“Quando mais jovem, participei muito da Igreja; atualmente estou afastado. Meu afastamento se deu quando descobri que era homossexual. Nunca fui promíscuo nem pretendo ser. Assim sou uma pessoa solitária. Porém não tenho vocação para a castidade como propõe a Igreja. Quero ter uma vida afetiva. Por que Deus me fez assim? Para me condenar à solidão. Tenho muita inveja de meus colegas de trabalho “normais”, que têm suas esposas e compartilham sua vida com alguém. Já pensei muito em suicídio, mas não tenho coragem. minha vida perdeu totalmente o sentido, estou cansado de representar o tempo todo um papel, sem nunca ser o que sou realmente. Saber que Jesus morreu na cruz por mim não muda em nada meu conflito interior. Ele disse que veio para que todos tenham vida em abundância; por que então eu não posso ter uma vida plena, incluindo a sexualidade? Se Deus me ama, por que Ele me fez assim, impedido de ser feliz?
Como posso acreditar numa promessa de eternidade feliz, sendo que agora não consigo ter um dia de paz? Será que Deus realmente me ama?
Procuro respostas para estas questões”.


Que dizer?

Responderemos ao nosso amigo em seis etapas.
1) Caro irmão, compartilhamos sua angústia, mas desejamos dizer-lhe que é superável. Como? Antes do mais, tome consciência de que você não é o único a carregar um problema sério. Todo ser humano tem o seu; pode ser até o extremo oposto ao seu, ou seja, uma excessiva atração pelo outro sexo.
- Isto nos proporciona a ocasião de lutar contra tendências desregradas; é precisamente na luta que alguém se faz grande. Não fora a luta, ficaríamos sempre com nossa exígua estatura espiritual. Por conseguinte assuma corajosamente sua tarefa de não ceder aos desvios sexuais.
2) Procure sublimar seus impulsos naturais dedicando-se à arte (poesia, música, pintura...) ou a uma tarefa que lhe interesse ou mesmo ao trabalho profissional. Lembre-se de que sentir tendências homossexuais não é pecaminoso, caso não se lhes dê consentimento. O mal consiste em consentir-lhes.
3) Não se feche em si mesmo ou no isolamento. A solidão, no caso, é prejudicial. Se você leva uma vida digna, tenha a cabeça erguida e aborde a sociedade com normalidade.
4) Como cristão, digo-lhe mais: voce, tal como é, é chamado por Deus à santidade; Ele tem as graças necessárias pra levar voce à perfeição cristã. Os Santos não foram de estirpe diferente da nossa; tiveram seus momentos difíceis, mas conseguiram vencer como o auxílio de Deus.
5) Há quem queira ver no homossexualismo “o terceiro sexo”; portanto algo de legítimo. Esta sentença entra em conflito com a lei natural. Existem dois sexos diferentes para se completarem mutuamente. Cada um dos dois tem predicados que o outro não tem. A tendência homossexual pode ser congênita como pode ser adquirida; todavia ele nunca é normal.
6) Caro irmão, volte à sua prática religiosa. Sem Deus todo fardo se torna mais pesado. Não há por que abandonar a prática religiosa se o homossexual se afasta das ocasiões de pecar. Como dito antes, sentir não é pecado; este consiste em consentir.
A Igreja recomenda aos seus pastores especial atenção aos homossexuais; cf. PR 327/1989, PP. 346ss.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Não fiquem admirados com a dura prova de aflição...

"Meus queridos amigos, não fiquem admirados com a dura prova de aflição pela qual vocês estão passando, como se alguma coisa fora do comum estivesse acontecendo a vocês. Pelo contrário, alegrem-se por estarem tomando parte nos sofrimentos de Cristo, para que fiquem cheios de alegria quando a glória d’Ele for revelada"(1Pe 4:12, 13).
Quando aceitamos a vontade de Deus em nossa vida, ainda estamos sujeitos às provações e adversidades, que ocorrem a todos neste mundo. Mas, como cristãos, podemos dar a essas provações um significado espiritual, nos fortalecer para enfrentá-las e aprender que Deus quer que aprendamos delas.

Amém

Herdado do Antigo Testamento Bendito seja Jahweh, o Deus de Israel, desde agora e para sempre! Amém! Amém!” (Sl 41,14). , passou para o uso da Igreja Cristã (1Cor 14,16; Ap 1,6-7; 22,20-21). Usando também por Jesus (Mt 5,18), tornou-se em seguida como um seu nome próprio, enquanto Ele é testemunha verdadeira das promessas de Deus “Todas as promessas de deus encontraram nele o seu sim: por isso, é por ele que dizemos “Amém” a Deus para a glória de Deus” (2Cor 1,20).
Amém significa: “Isso é sólido, digno de confiança”.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Zilda Arns: Por que morrem os bons?

"Os bons morrem para serem completamente nossos, sendo completamente de Deus".

Oração ou Ação?

Pe. Virgílio,ssp

O pastor, o padre, o leigo e o cristão engajado, nem sempre encontram espaço e tempo para a privacidade, para a meditação ou para a contemplação. É o que acontecia com Cristo e com os apóstolos, que constantemente se viam sitiados por multidões sedentas de verdade e de esperança.Há momentos, em nossa vida, em que até aquela oração feita no silêncio e na calmaria, pode se transformar em luxo. Em casos assim, é claro que a oração não pode passar em brancas nuvens: quer dizer que rezaremos no trabalho e no serviço. Porque, se a oração é encontro com Deus, também o trabalho e o serviço prestado aos irmãos é encontro com Deus...
Quem manda, em nossa vida, não somos nós, é Deus; e é o irmão, que vem a nós em nome de Deus: o irmão esfarrapado ou o bem trajado; o irmão proletário ou o de classe alta; o irmão faminto ou o bem alimentado; o irmão de rosto queimado pelo sol e provado pelo sofrimento ou o de melhor aparência – mas todos eles precisando de perdão e de compaixão, de paz e de fé, de amor e de vida nova...
Muitos ainda discutem se é mais importante a oração ou a ação; se é preferível levantar as mãos para o céu ou pô-las em movimento para trabalhar; se é prioritário olhar para Deus ou olhar para o irmão.
Mas estas são questões que nem merecem ser postas na mesa. É o mesmo que discutir se, na vida, é mais importante o pai ou a mãe, bem sabendo que os dois são igualmente importantes. Da mesma forma, oração e ação precisam andar sempre de mãos dadas na caminhada do cristão. Não poderíamos dispensar a oração, sem cairmos no afastamento e no esquecimento de Deus; nem poderíamos dispensar a ação, sem cairmos na alienação e no esquecimento do irmão.
O ideal é não perdermos de vista a postura de Cristo, que fazia questão de ficar em constante comunhão com o Pai, mas sem jamais furtar-se ao cuidado e ao amor para com o homem...



Imagem: fraternidadefreipio.blogspot.com/2009/04/trid...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Enquanto temos tempo... (Gl 6,10)

Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.
Pergunte e Responderemos – n. 517
Julho 2005
Numa importante passagem de seu episódio, o Apóstolo lembra a fugacidade do tempo e a necessidade de o aproveitarmos com afinco. E por quê? Porque o tempo é a ocasião da semeadura de valores que colheremos na vida póstuma; quem semeia pouco, colherá pouco, mas quem semear muito, muito colherá (cf. Gl 6, 10; 2Cor 9, 7-9).
Refletindo bem, verificamos que o tempo não é simplesmente uma dádiva de Deus, mas é sim o dom básico, sem o qual na pode haver outros dons. Infelizmente, porém, este dom nos escapa com facilidade; passa rápido sem que tomemos consciência do seu valor porque, muito atarefados, não conseguimos emergir para fora de nossas prementes obrigações a fim de avaliar o seu significado no conjunto da nossa vida. Há também aqueles para quem o tempo pouco vale, porque desligado da sua relação com o Além, de modo que vão procurar um “passa-tempo” no jogo ou na bebida...
Ao chegar o fim desta vida terrestre, muitos, olhando para trás, lamentarão ter perdido o tempo...; desejariam recomeçar a vida – o que será impossível; daí a grande frustração.
A fim de que tal desfecho não ocorra, exorta o Apóstolo: “Vede cuidadosamente como andais, não como tolos, mas como sábios” (Ef 5,14). E que significa a expressão “como sábios”? – Sábio, na Escritura, é aquele que olha para os valores do aquém sob a luz do Além; coloca regularmente ante os olhos o Fim de todos os fins, ou seja, o encontro com o Infinito e Absoluto, dimensionando cada valor passageiro com o metro da eternidade. Quem o faz, não é assustado nem desinstalado pela dita “morte”, mas vê nesta a consumação de uma carreira consciente, uma carreira de quem rege o seu tempo e não é regido pelo tempo. Mais: quem assim vive, goza de paz, pois a causa básica que perturba e desmantela o homem é o desviar-se do Absoluto... desviar-se ele que foi feito para o Infinito: “Tu nos fizeste para Ti, Senhor, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti” (S. Agostinho, Confissões I 1). Estas reflexões não implicam alienação do cristão frente aos seus afazeres temporais, pois, ele sabe que, ao desempenhar-se de tais deveres, ele joga não somente com seu nome, mas no nome de Cristo e da religião, nome este que não é lícito conspurcar, mas que é preciso abrilhantar por uma fidelidade generosa aos compromissos. O cristão não vive só para si, mas também – e principalmente – para Aquele que por ele morreu e ressuscitou (cf. 2Cor 5, 14; Rm 14, 7-9).
Tenha S. Agostinho a palavra final: “Façamos destes dias um símbolo do dia final. Façamos do lugar da mortalidade um símbolo do tempo da imortalidade. Caminhemos depressa para a morada eterna. ‘Felizes os que moram em vossa casa; podem louvar-vos continuamente’ (Sl 84,5)”.
Sejam estas ponderações penhor de uma vida cada vez mais prenhe dos valores definitivos!
Imagem: najasmin.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_03.html

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Alma de Cristo

Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que eu me separe de vós.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da morte, chamai-me.
E mandai-me ir para vós,
para que, com vossos santos, vos louve.
Pelos séculos dos séculos. Amém.
Imagem: clayton.cfn.blog.br/?tag=cristo

O que me falta para ser santo...

Pois o que me falta para tornar-me santo? Tenho todas as ocasiões favoráveis para isso. Coragem, pois, quero me tornar santo.
(São Geraldo)

É preciso ter uma meta...

“É preciso ter uma meta, e a nossa meta é muito grande. Quem se acostuma com coisa pequena, não pode ir para o céu. O céu é pra quem sonha grande, pensa grande, ama grande e tem coragem de viver pequeno. Isso é o céu.”
Pe. Léo

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A Caridade Segundo São Paulo

Foto: revistaepoca.globo.com

Buscar palavras para falar de dona Zilda Arns... Grande ser humado, mulher que deu testemunho da fé com as obras... Encontrei nas palavras do Apóstolo Paulo o espellho do que foi essa filha de Deus para nós e para o mundo; para os pobres, para nossas reflexões...

6 – Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber; e se tiver toda a fé, até a ponto de transportar montanhas, e não tiver caridade, não sou nada. E se eu distribuir todos os meus bens em o sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, se todavia não tiver caridade, nada disto me aproveita. A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não obra temerária nem precipitadamente, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. A caridade nunca jamais há de acabar, ou deixem de ter lugar às profecias, ou cessem as línguas, ou seja abolida a ciência.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três virtudes; porém a maior delas é a caridade. (Paulo, I Coríntios, XIII: 1-7 e 13).
7 – São Paulo compreendeu tão profundamente esta verdade, que diz: “Se eu falar as línguas dos anjos; se tiver o dom de profecia, e penetrar todos os mistérios; se tiver toda a fé possível, a ponto de transportar montanhas, mas não tiver caridade, nada sou. Entre essas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade”. Coloca, assim, sem equívoco, a caridade acima da própria fé. Porque a caridade está ao alcance de todos, do ignorante e do sábio, do rico e do pobre; e porque independe de toda a crença particular.
E faz mais: define a verdadeira caridade; mostra-a, não somente na beneficência, mas no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.
Foto acima:veja.abril.com.br

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Resumo da vida cristã...

... do que se há de praticar:
buscar o Reino de Deus como dever fundamental
e a isso subornar os outros valores.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Santa Eucaristia e um Santo Sacerdócio...

Pe. John Hardon, S.J.

Pode parecer somente piedoso associar a Santa Eucaristia ao sacerdócio. Mas isso não é só piedade... É necessidade! Sem os sacerdotes, não haveria a Eucaristia, e, sem a Eucaristia, o sacerdócio não seria santo. Entretanto, no momento, queremos enfatizar a importância da Eucaristia: ela vai produzir a santidade do sacerdócio e vai garantir que ele sobreviva até o final dos tempos. A Santa Eucaristia é indispensável para viver conforme as exigências sobrenaturais que o Senhor apresenta àqueles que recebem o sacerdócio em Seu nome.
Desejo abordar os seguintes pontos desta questão fundamental:
1 – O sacrifício de amor desinteressado, exigido a um sacerdote, é impossível sem o fortalecimento sobrehumano vindo de Deus.
2 – A principal fonte desse fortalecimento sobrehumano é a Santa Eucaristia.
3 – Os sacerdotes católicos são um testemunho vivo do poder de CRISTO para operar milagres no mundo de hoje.
4 - Nada é mais importante
para o sacerdócio que uma fé renovada na Santa Eucaristia.
Não é preciso muita inteligência para perceber que um sacerdócio fiel e espiritualmente frutífero requer um fortalecimento sobrenatural.
A religião católica é singular entre as religiões do mundo, fazendo exigência morais que estão além da capacidade da natureza humana.
As duas exigências mais difíceis são: a prática da castidade e da caridade cristãs. Combine essas duas virtudes com: o celibato e o auto-sacrifício, e começamos a entender porque o sacerdócio requer, ou melhor, realmente exige, força sobrehumana vinda de DEUS, para que permaneça fiel por toda a vida. Sabemos o quanto é difícil o caminho até a ordenação sacerdotal, mais difícil ainda será viver como um santo sacerdote por toda vida.
O cristianismo pode se resumir nisto: viver uma vida sobrenatural através da graça, dando testemunho do nome de CRISTO, pelo Espírito que Ele concede àqueles que creem que Ele é o DEUS ETERNO que se tornou homem.
JESUS CRISTO instituiu a Santa Eucaristia para comunicar-nos a Força que precisamos para permanecermos na sua graça.
Para os sacerdotes, a Eucaristia é a luz e o fortalecimento que eles devem receber, constantemente para que vivenciem as sublimes diretrizes do ESPÍRITO SANTO que os assiste.
O mundo onde vivem está marcado pelo consumismo e os prazeres se tornaram as normas da sociedade.
Para não serem enganados por este mundo, cujo príncipe é o demônio, os sacerdotes católicos precisam da luz que somente CRISTO pode dar. Ele mesmo os espera na Santa Eucaristia para dar-lhes as graças necessárias. Só Ele pode dar-lhes a coragem que precisam para vencerem o mundo dominado por Satanás. Ele afirma que não é preciso ter medo: “Tende confiança, EU venci o mundo.” (Jo 16,33)
O que Ele está dizendo aos padres? Ele está lhes assegurando que ainda está na terra, no Santíssimo Sacramento; que Ele ainda se oferece diariamente em nossos altares, no Sacrifício da Missa; que Ele ainda se entrega a eles na Santa Comunhão. Para que?
Para permitir-lhes fazer o que está além de usa inteligência natural; além de sua força de vontade natural. Os sacerdotes não têm saída, senão por este caminho... A pressão psicológica do mundo, a carne e o demônio são demasiadamente fortes.
Os sacerdotes não podem vencê-los sozinhos.
A Santa Eucaristia deve tornar-se o centro, o sentido das vidas sacerdotais.
Isso não é uma opção. É uma lei de sobrevivência espiritual, em todas as épocas e, com muito maior ênfase, para os sacerdotes católicos de nossos dias. Não há dúvida que a fé na Eucaristia e a devoção a esse sacramento são crucialmente importantes no apostolado sacerdotal.
“Como é o sacerdote, assim é o povo” é uma verdade comprovada pela história da Igreja. Mas também é um fato real nas biografias dos santos da Igreja: Como o sacerdote ama e celebra a Missa, assim ele ama e exerce o sacerdócio.
Os sacerdotes serão desinteressados e castos, prontos ao sacrifício e humildes, quando suas vidas estiverem concentradas na Eucaristia. O oferecimento fervoroso e diário da Santa Missa, a Hora Santa diária e Bênção do Santíssimo, bem como as visitas frequentes ao Sacrário; essa não são simples devoções do sacerdote. Elas são expressões de um amor profundo por JESUS CRISTO, agora vivendo e Se oferecendo por nossa santificação, enquanto caminhamos para a eternidade...
(conferir texto na íntegra no Livro: Cálice do Fortalecimento – Oração pelos Sacerdotes.)
Imagem: www.tendafranciscana.org.br/smn_ordena_01.htm

Feliz o homem que encontrou a sabedoria...

"Feliz o homem que encontrou a sabedoria, o homem que alcançou a prudência! Ganhá-la vale mais do que a prata, e o seu lucro mais do que o ouro. É mais valiosa do que as pérolas; nada que desejas a iguala". (Pr. 33,13-15)
Imagem: leo268.wordpress.com/.../mais-sabio-que-salomao/

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"Os maus não são bons porque os bons não são melhores"...

Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.
Este título exprime uma grande verdade, que nunca se considerará demais. Pergunta-se porém: os maus precisam dos bons para se converter? – Responderemos que a sua conversão depende da graça de Deus (que nunca lhes falta) e da sua fidelidade a essa graça. Mas Deus quer servir-se de instrumentos. E isto em dois planos: no meramente humano e no da fé.

No plano meramente humano... É notória a influência do exemplo ou do testemunho apregoado não só com palavras, mas também com gestos concretos. As palavras voam, mas os exemplos arrastam. O homem de hoje, em muitos casos, dá mais importância à sinceridade ou à coerência de vida do que à própria verdade. São tantas as “verdades” proclamadas por quem não as vivencia que muitos não lhes dão crédito. E há tantos erros traduzidos em atos concretos que arrastam multidões. Daí a importância do testemunho de vida em favor do Evangelho. Essa coerência, porem, exige coragem e brio... Coragem para que eu me adapte à Verdade e não queira adaptar a Verdade a mim, coragem para sair do meu pequeno mundo egoísta e pulsar com valores objetivos, que interessam aos meus semelhantes. Quantos têm sempre essa coragem?
No plano da fé... São Paulo nos diz que somos membros de um Corpo cuja Cabeça é Cristo e que nesse Corpo há mútuas interdependências: “Como o corpo, sendo um, consta de muitos membros e os membros sendo muitos, formam o corpo, assim é Cristo... Não pode o olho dizer à mão: ‘Não preciso de ti’. Nem a cabeça aos pés: ‘Não preciso de vós’... Mais ainda: os membros do corpo considerados mais fracos são indispensáveis e, os que consideramos menos nobres, cercamos de maior honra” (Cor 12,12-23).
Um membro doentio ou anêmico transmite menos vitalidade do que outro plenamente sadio. Por isto se diz com razão que Deus quer salvar a uns mediante outros, Cristo quer comunicar sua ação redentora aos membros do seu Corpo Místico, para que, de um modo ou outro, colaborem (por graça de Deus) na mais importante d todas as obras, que é a santificação e a salvação dos homens. A consciência desta verdade desperta em todo cristão o elevado senso de responsabilidade que lhe toca. Aliás, os documentos mais recentes da Igreja têm observado que o ateísmo se propaga no mundo de hoje porque nem sempre é lúcido o testemunho que os fieis cristãos deveriam dar à Verdade. A decepção causada por não poucos afugenta os indecisos. A natureza humana tende a acomodar-se e cair na mornura de vida. Diz-se em latim “Quotidiana vilescunt. – A realidade repetida cada dia vai perdendo o seu significado”. Donde a importância de sacudir o véu da rotina, de modo que “os homens, vendo nossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus” (Mt 5,16).
Sabiamente disse Jesus: “Vós sois o sal da terra”. E acrescentou: “Se o sal perder o seu sabor, não haverá quem o substitua” (Mt 5,13).
O bom cristão jamais poderá esquecer a nobre função que o Senhor assim lhe confiou.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O retrato de Jesus Cristo

Nos anais da História consta que o governador da Palestina Públio Lêntulo, escrevendo ao Senado Romano, assim descreveu Jesus Cristo: Nestes tempos tem aparecido um homem raro e de grande virtude que hoje vive entre nós. Seu nome é Jesus Cristo, batizado na idade de trinta anos. Seus discípulos chamam-no Filho de Deus; ressuscita mortos e sara todas as enfermidades. É um homem bem disposto e de bom corpo, alto, posto que não demasiado, e agradável a quem o vê. Tem rosto venerável, e quem nele põe os olhos sente-se cheio de temor e amorosa reverência. Tem o cabelo cor de avelã bem sazonado, liso e muito igual até chegar às orelhas, e dali para baixo, crespo e um pouco mais claro e resplandecente, caído sobre os ombros e partido segundo o costume dos nazarenos; a fronte é lisa e muito severa. Todo o seu rosto é sem ruga ou mancha, aformoseado com uma cor viva e acesa; na boca e nariz não há que repreender. A barba é abundante e muito branda, da mesma cor do cabelo, partida ao meio e não muito comprida. Seu olhar é descansado e honesto; os olhos garços e brilhantes. É terrível em repreender e em aconselhar é brando e amável. No rosto mostra arguir com gravidade. Ninguém o há visto rir, chorar, sim. Tem todos os membros proporcionais à estatura; as mãos compridas e direitas, os braços perfeitos. Fala pouco, com muita gravidade e medida e, para dizê-lo em uma palavra: Ele é o mais formoso de todos os homens.
Imagem: www.zazzle.pt/cristo+cartoes+visita

sábado, 9 de janeiro de 2010

O Filho de Deus revelado ao mundo...

O Batismo do Senhor
Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21-22

Enquanto João Batista batizava ao longo do rio Jordão, Jesus partiu de Nazaré e veio ter com ele. O Filho de Deus e de Maria não tinha nenhum pecado a confessar. Sua vida era verdadeiramente um esplendor de virtudes; nem a mais leve sombra ofuscava aquela Alma Santíssima.
Como então se apresentou ao Batista? É que a sua imensa grandeza se unia a mais profunda humildade.
João não vira mais Jesus desde a sua infância e por isso talvez, não o reconhecera prontamente. Sentiu entretanto, que aquele jovem, que estava a sua frente, não era como os outros. Daquele rosto e, principalmente, daqueles olhos, transparecia uma luz sobre-humana. Por isso João disse:
-
“Eu preciso ser batizado por ti e tu vens a mim?”
E Jesus responde:
- “Deixa por ora, porque é bom que seja cumprida toda a justiça”.
Então João deixou que Jesus descesse ao rio Jordão como qualquer pessoa do povo. Mas, quando estava dentro da água e, enquanto rezava, eis que o Céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma de pomba. E uma voz que vinha do Céu dizia:
- “Este é o meu Filho dileto, no qual pus todas as minhas complacência! Ouvi-o!”
E assim foi revelado, claramente, a João o Messias, a fim de que pudesse depois mostrá-lo ao povo.
De fato, depois de algum tempo, vendo, um dia aproximar-se Jesus, exclamou:
- “Eis o Cordeiro de deus que apaga os pecados do mundo! Este é aquele do qual eu dizia: “Depois de mim virá um, que veio antes de mim, porque existia antes de mim. E eu não o conhecia. Vi o Espírito Santo descer do Céu, como uma pomba e pousar sobre ele. Aquele que me mandou batizar com água me disse: “Aquele sobre o qual vires descer o Espírito é o que batiza no Espírito Santo”.
Em verdade eu o vi, testemunho de que ele é o Filho de Deus.
Vejam como aquele Jesus, humilhado, entre os pecadores do Jordão era o Santíssimo Filho de Deus! Adorem-no e digam: - “Ó divino Cordeiro Imaculado, livrai-nos do pecado!”
(A Pequena Bíblia – P. Cesar Gallina)
Imagem: http://www.diocesefranca.org.br/boletim/jan2008/bd-materia5.html

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Pelo Batismo, somos cristãos, filhos de Deus, membros da Igreja, herdeiros do céu...

Pelo Batismo, Jesus nos marca de maneira indelével como membro do seu rebanho e participante de seu sacerdócio: é o caráter batismal. Assim, o simples cristão:
a)
Pode e deve unir-se à Igreja para oferecer o sacrifício eucarístico;
b) Pode ser ministro do matrimônio;
c) Pode e deve ser testemunha de Cristo.
O Sinal pelo qual pelo qual se deve reconhecer o cristão é a c aridade. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (Jo 13,35)
Se queres entrar na vida eterna, observa os mandamentos: amarás ao Senhor teu Deus acima de tudo e a teu próximo como a ti mesmo.
(Mt 19,17)
Imagem: heavenawaits.wordpress.com/.../

O Batismo é necessário à salvação...

"Quem não renascer da água e do Espírito Santo não poderá entrar no reino de Deus" (Jo 3,5)

O Batismo utiliza a água

Eis como conta a Escritura Sagrada (At 8,26-40) o batismo de um pagão: 26. Um anjo do Senhor dirigiu-se a Filipe e disse: Levanta-te e vai para o sul, em direção do caminho que desce de Jerusalém a Gaza, a Deserta. 27. Filipe levantou-se e partiu. Ora, um etíope, eunuco, ministro da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, tinha ido a Jerusalém para adorar. 28. Voltava sentado em seu carro, lendo o profeta Isaías. 29. O Espírito disse a Filipe: Aproxima-te para bem perto deste carro. 30. Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo? 31. Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele. 32. A passagem da Escritura, que ia lendo, era esta: Como ovelha, foi levado ao matadouro; e como cordeiro mudo diante do que o tosquia, ele não abriu a sua boca. 33. Na sua humilhação foi consumado o seu julgamento. Quem poderá contar a sua descendência? Pois a sua vida foi tirada da terra (Is 53,7s.). 34. O eunuco disse a Filipe: Rogo-te que me digas de quem disse isto o profeta: de si mesmo ou de outrem? 35. Começou então Filipe a falar, e, principiando por essa passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus. 36. Continuando o caminho, encontraram água. Disse então o eunuco: Eis aí a água. Que impede que eu seja batizado? 37. [Filipe respondeu: Se crês de todo o coração, podes sê-lo. Eu creio, disse ele, que Jesus Cristo é o Filho de Deus. 38. E mandou parar o carro. Ambos desceram à água e Filipe batizou o eunuco. 39. Mal saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe dos olhares do eunuco, que, cheio de alegria, continuou o seu caminho. 40. Filipe, entretanto, foi transportado a Azoto. Passando além, pregava o Evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia.
Administra-se o Batismo com água e as palavras: Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, pronunciadas ao mesmo tempo que se derrama água em forma de cruz sobre a cabeça do batizando, pois é pela cruz de Jesus que somos salvos.
O sacerdote é o ministro do Batismo, mas em caso de necessidade qualquer pessoa que tenha vontade de fazer o que faz a Igreja pode batizar.
(A Caminho do Pai - Teresa de Cristo Lézier. O.S.U.)

O Batismo...

Na Igreja, Jesus nos dá sua vida divina, pelo Batismo...


O Batismo é o Sacramento da Fé
1 - “Quem crer e for batizado será salvo". (Mc 16,16)
2 - Um adulto só pode ser batizado quando:
a) Crê em Deus;
b) Crê que Jesus é o Filho de Deus;
c) Se converte, isto é, abandona o mal e compromete-se a levar vida nova na Igreja. Povo
Nunca se batiza um adulto sem o seu consentimento.
3 – A Igreja batiza os bebês por causa da fé dos pais que pedem o batismo e a entrada na Igreja para os filhos; por isso mesmo, eles se comprometem a dar-lhes educação religiosa e a mandá-los no catecismo.
Os padrinhos e madrinhas devem empenhar-se em viver como cristãos em nome do afilhado, o qual, quando chega à idade da razão, ratificará pessoalmente esse compromisso: é a profissão de fé ou renovação das promessas do batismais.
4 – Quando fomos levados à Igreja para ser batizados, o sacerdote interrogou nosso padrinho, pois éramos ainda bebês que nem podiam falar. Ele, então, respondeu por nós.

Hoje somos nós que vamos responder:
Crês em Deus Pai, Todo-Poderoso?
Crês em Jesus Cristo, Seu Único Filho?

Crês no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica?
5 – Ato de Fé:
Creio em Vós, meu Deus e em tudo que nos ensinais pela Igreja Católica porque Vós sabeis tudo e só dizeis a verdade. Nesta fé quero viver e morrer.
6 – Ato de Esperança:
Espero, meu Deus, que me dareis a vida eterna e as graças necessárias para consegui-la.
7 – Ato de Caridade:
Amo-vos, meu Deus, de todo coração e acima de tudo. Por amor de Vós, amo a meu próximo como a mim mesmo.

(A Caminho do Pai - Teresa de Cristo Lézier O.S.U.)
Imagem: www.paroquiamonteclaro.com.br/batizados.jsp

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Celibato

Por D. Manoel Cintra, Bispo Emérito de Petrópolis e falecido em 1999.
O texto é tirado da Revista Pergunte e Responderemos –
Dezembro – 1988 - nº 319

O Celibato é contra a Lei Natural?

D. Manoel Cintra responde: Não; de maneira nenhuma.
Porque a lei natural não obriga cada pessoa a contrair casamento. Obrigaria sim, se o casamento de cada pessoa fosse necessário para a propagação do gênero humano. Tal, porém, não acontece. A perpetuação da espécie humana, através dos tempos, se obtém normalmente, sem dificuldade, bastando que a obrigação do casamento recaia sobre toda a coletividade e não sobre cada um de seus membros.
Santo Tomás o explica, com meridiana clareza. Na sua “Suma Teológica” (2a. 2a., q. 152 a. 2º.) mostra como a virgindade, ou castidade perpétua, não é proibida pela lei natural. Ele esclarece, de acordo com a sã filosofia, como é preciso entender que os preceitos da lei natural não atingem do mesmo modo toda a comunidade e cada indivíduo.
Imprescindível essa distinção entre comunidade e indivíduo. Ao responder à objeção de que “assim como pecaria quem se abstivesse de toda comida, por agir contra o seu bem individual; de igual modo também peca quem se abstém completamente do ato de geração, porque está agindo contra o bem da espécie”, o Aquinate escreve:
“De dois modos podemos estar sujeitos a um dever. Primeiro, como tendo a obrigação de cumpri-lo individualmente, e então não o podemos omitir sem pecado. Mas outro é o dever que a multidão deve cumprir, e ao qual não está obrigado, em particular, nenhum membro dela, pois há muitas coisas necessárias à multidão que um só não pode realizar, mas que o pode ela, porque um dos seus membros realiza isto e outro aquilo.
Ora, o preceito de comer, que a lei natural impõe ao homem há de necessariamente ser cumprido por cada um; do contrário, ninguém poderia viver. Mas o preceito da geração diz respeito a toda a multidão dos homens, à qual é necessária não só a multiplicação corporal, mas também o progresso espiritual. Por aí se vê que a multidão humana fica suficientemente provida se vários dos seus membros se derem à obra da geração carnal, enquanto outros, dela se abstendo, se entregam à contemplação das coisas divinas, para honra e salvação de todo o gênero humano”.

Esta distinção apresentada por Santo Tomás esclarece igualmente outros aspectos dos preceitos da lei natural. Por exemplo, o da propriedade privada, que é necessária para haver liberdade na sociedade, mas de que cada indivíduo se pode privar espontaneamente (e aí está a liberdade), por motivos superiores, como no voto religioso de pobreza. Diga-se o mesmo quanto ao voto de obediência: quem o faz, usa de sua liberdade para aceitar, por amor de Deus, a vontade divina manifestada pelos Superiores, em lugar da própria vontade.
Em se tratando do celibato eclesiástico, é preciso notar que ele existe na Igreja precisamente pela livre determinação de cada levita, antes de receber as Ordens Sacras. A Igreja jamais obriga alguém a viver em celibato senão em consequencia dessa prévia e pessoal decisão. Mas também ninguém a pode obrigar a promover às Ordens Sacras quem prefere constituir família. Assim ela aceita o compromisso, amadurecido e responsável , de cada candidato que resolve sacrificar o direito natural de se casar, para entregar-se totalmente ao serviço de Deus.
Como é fácil de se entender, esse compromisso é extraordinariamente grave, como o tem acentuado muitas vezes o Santo Padre, o Papa. Muito grave, não só pelo direito natural ao possível casamento, direito ao qual o sacerdote renuncia, como também pelo bem comum da Igreja, que o acolhe, na Ordenação Sacerdotal, e que tem em vista a comunidade cristã, a cujo proveito espiritual o levita se consagra “com coração indiviso”, no dizer da Presbyterorum Ordinis, nº 16, do Concílio Vaticano II.
Imagem: ilhn.com

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Não tenhais medo de ser santos!

Palavras do Santo Padre João Paulo II aos jovens reunidos em Compostela,
em 20 de agosto de 1989, e que ainda ecoam neste início de 2010 e creio que por todo o sempre! Belo texto! Belo chamado! Santo encorajamento!

“Não tenhais medo de ser santos!”

“Por que estais aqui, jovens dos anos 90 e do século XX? Não sentis em vós o espírito deste mundo na medida em que esta época, rica em meios de usar e abusar, luta contra o espírito do Evangelho?
Não viestes aqui para vos convencer definitivamente de que ser grande quer dizer servir?

Mas estais dispostos a beber esse cálice? Estais dispostos a vos deixar penetrar pelo Corpo e o Sangue de Cristo, a fim de morrer ao velho homem, que está em nós e ressuscitar com Ele?
Sentis em vós a força do Senhor para assumirdes sobre vós os vossos sacrifícios, os sofrimentos e as cruzes que pesam sobre os jovens desorientados, que procuram o sentido da vida, que são manipulados pelo poder, pelo desemprego, que sofrem fome, que estão mergulhados na droga e na violência, escravos do erotismo, que se propaga por toda a parte? Sabeis que o jugo de Cristo é suave? E que é somente por Cristo que receberemos o cêntuplo aqui e agora e, a vida eterna?...
Eu vos convido, caros amigos, a descobrir a vossa verdadeira vocação para colaborar na expansão desse Reino de Verdade e de Vida, de Santidade e de Graça, de Justiça, de Amor e de Paz.
Se quereis realmente servir, deixai que Cristo reine em vossos corações, que Ele vos ajude a fazer opções e a crescer na posse de vós mesmos...
Que Ele vos leve pelo caminho que conduz à condição do homem perfeito! Não tenhais medo de ser santos! Tal é a liberdade pela qual Cristo nos libertou (cf. Gl 5,1)”.


Pergunte e Responderemos - Novembro 1989 - 330